terça-feira, 17 de outubro de 2017

Igualdade de Gênero Livro-Agenda Latino-americana mundial 2018

A página de abertura do “Livro-Agenda latino-americana mundial” lembra-nos sempre: é “o livro latino-americano mais difundido, cada ano, dentro e fora do Continente”. Ele é “sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as Comunidades que vibram e se comprometem com as Grandes Causas da Pátria Grande, como resposta aos desafios da Pátria Maior”.
Ele é ainda “um anuário de esperança dos pobres do mundo a partir da perspectiva latino-americana; um manual companheiro para ir criando a ‘outra mundialidade’; uma síntese da memória histórica da militância e do martírio de Nossa América; uma antologia de solidariedade e criatividade; uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social e a pastoral popular”.
O “Livro-Agenda latino-americana mundial”, “além de ser para uso pessoal, foi pensado como instrumento pedagógico para comunicadores, educadores populares, agentes de pastoral, animadores de grupos e militantes” (p. 9).
O tema do “Livro-Agenda latino-americana mundial 2018” é: igualdade de gênero. É um tema que - pela sua premente atualidade - “está nas ruas, em todo o Continente latino-americano (e - podemos dizer - no mundo inteiro), na sociedade civil, na opinião pública e nas Igrejas”. Não é “um assunto de mulheres” (como se pensou por milênios), mas é “um assunto de justiça estrutural e sistêmica, que afeta os Direitos Humanos das mulheres e de muitas pessoas discriminadas por sua condição de gênero ou sexual”.
Abordar o tema é “uma revolução radical e global. É uma revolução pendente e urgente, que queremos ajudar a levar em frente, com tantas mulheres e homens que já levam anos e decênios na luta por esta Utopia”.
Segundo o método “ver-julgar-agir” (“analisar-interpretar-libertar”) - já tão conhecido e praticado na América Latina - “partimos da realidade, esta vez com um ver/recordar, que incorpora a luta histórica das mulheres”.
No julgar/sonhar “tomamos as águas desde muito acima, desde as implicações inclusive filosóficas; recolhemos a história da teologia feminista, a ‘ideologia de gênero’, o debate sobre o sexo forte, as masculinidades, a influência das crenças religiosas, o patriarcado... e categorizamos os direitos das mulheres como Direitos Humanos”.
No agir, “abordamos as Políticas Públicas com enfoque de gênero, a democracia paritária, a necessária incorporação dos homens às tarefas do cuidado, a visão da mulher indígena e da mulher negra, a prática de teologia feminista na história, a criação de observatórios de gênero... e, também este ano, alguns livros digitais disponíveis recomendados, para aprofundar o tema nos níveis indicados, nos grupos, nas Comunidades e no estudo pessoal” (p. 8-9).
As Igrejas “não podem se esquivar à realidade, nem na sociedade e nem em seu próprio interior. Jesus mostrou-se a favor da inclusão de todas as pessoas, e sua Utopia de Justiça, que Ele chamava de Reino, é, para muitos, símbolo da inclusão maior. Há uma hierarquia de verdades e valores, e a Justiça tem precedência sobre qualquer outra consideração filosófica, teológica ou simplesmente tradicional. Enquanto houver pessoas discriminadas por sua condição sexual, a teologia ‘feminista’ da libertação terá sentido. Com o Evangelho na mão, atrevemos a dizer que toda a teologia que justifique a inferiorização da mulher, ou qualquer outra injustiça de gênero, atua como ‘ideologia de gênero’” (p. 11).
Destacamos - como sendo um grande valor - o caráter ecumênico (“ecumenismo de soma” e não “de subtração”) e macroecumênico do “Livro-Agenda latino-americana mundial 2018”.
Por fim, agradecemos “a colaboração ‘sororal’ (é o feminino de ‘fraternal’, não?) de tantas mulheres, feministas militantes, lutadoras convictas, de todo o Continente, que nos ajudaram, não apenas com sua contribuição escrita, mas com sua orientação, seu conselho, e inclusive sua correção... mais que fraterna: sororal”.
É um novo momento histórico! Estejamos à altura! Leiamos todos e todas o “Livro-Agenda latino-americana mundial”! Vale muito a pena”! 


A Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil é a responsável pela edição brasileira do “Livro-Agenda latino-americana mundial”.
Locais para se adquirir o “Livro-Agenda latino-americana mundial 2018” em Goiânia:
  • Secretaria da Paróquia São Judas Tadeu, à Rua 242, nº 100, Setor Coimbra, fone: 62 - 3233.6365.
  • Sala do CEBI, à Rua 83, nº 361, Setor Sul, fone 62 - 3225.8095.
  • Sede da CRB - Goiânia, à Av. Anhanguera, nº 5.110, Edifício Moacir Teles, sala 609, Centro, fone 62 - 3224.6076. 





Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 11 de outubro de 2017 

sábado, 7 de outubro de 2017

Uma luz para a Igreja hoje


Há alguns dias, acessando o site http://www.diocesedegoias.org.br/ - fonte do meu artigo “A 16ª Romaria da Terra e das Águas em Goiás” - chamou-me a atenção a Opção Fundamental da Diocese de Goiás. Certamente ela é fruto da longa caminhada de renovação que a Igreja de Goiás viveu depois do Concílio Vaticano II e de Medellín (a “Carta Magna” da Igreja da América Latina e Caribe), com o apoio de Dom Tomás Balduíno (de saudosa memória) e de Dom Eugênio Rixen.
No Plano de Pastoral, a Diocese de Goiás apresenta sua Opção Fundamental: “Obedientes ao Evangelho, nós, Igreja de Goiás, Povo de Deus, vivendo o Reino de Deus, optamos por ser uma grande rede de Comunidades Eclesiais de Base, que une fé e vida. Discípulas e discípulos de Jesus Cristo, queremos construir relações de solidariedade, justiça e comunhão, abertos à diversidade. Convocados pelo Batismo a sermos missionários e missionárias, renovamos, com todas as pessoas excluídas do campo e da cidade, a evangélica opção pelos pobres, lutando com elas pela urgente defesa do meio ambiente e pela vida em plenitude. A compaixão, a Palavra e a prática do Ressuscitado animarão nossa caminhada”.
Lendo o texto da Opção Fundamental, fiquei surpreso e feliz ao mesmo tempo. Surpreso, porque hoje é muito raro encontrar uma Igreja que - em seu Plano de Pastoral - tenha uma Opção Fundamental como essa (na década de 1970 e 1980, era bastante comum). Feliz, porque tive - mais uma vez - a possibilidade de constatar que a “Igreja da Caminhada” continua viva e muito viva (mesmo quando - pelas mais variadas razões - é impelida a ficar nas catacumbas). É a Igreja de Jesus de Nazaré e, como tal, nunca irá morrer!
A Opção Fundamentar da Diocese de Goiás - cujo texto foi muito bem elaborado - é uma síntese da visão de Igreja (Eclesiologia) do Vaticano II e de Medellín. Cada palavra tem um sentido. Faço somente alguns destaques.
Obedientes ao Evangelho”: ser obedientes ao Evangelho - que é a Boa Notícia de Jesus de Nazaré - significa vive-Lo de maneira cada vez mais radical (e não ser legalistas como os Fariseus). Os e as que são chamados e chamadas a exercer o ministério ou serviço da coordenação (em qualquer nível) devem ser mais obedientes do que os outros e as outras.
Nós, Igreja de Goiás, Povo de Deus”: a Igreja não são os padres e os bispos, os religiosos e as religiosas, mas o Povo de Deus, formado por todos os seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré (incluindo padres e bispos, religiosos e religiosas), na diversidade dos carismas e ministérios.
Vivendo o Reino de Deus”: viver o Evangelho significa viver o Reino de Deus para que Ele cresça sempre mais na história do ser humano e do mundo.
Optamos por ser uma grande rede de Comunidades Eclesiais de Base, que une fé e vida”: é a opção por uma Igreja de irmãos e irmãs, encarnada na vida do povo. Fé e vida tornam-se uma coisa só. A fé é um jeito de viver a vida em todas as suas dimensões e 24 horas por dia.
Discípulas e discípulos de Jesus Cristo”: as discípulas e discípulos procuram sempre viver e construir relações de solidariedade, de justiça e de comunhão, no respeito à diversidade.
Convocados pelo Batismo a sermos missionários e missionárias”: os missionários e missionárias fazem a opção pelos pobres e pessoas excluídas do campo e da cidade (e a renovam constantemente), na defesa do meio ambiente e da vida em plenitude.
A compaixão, a Palavra e a prática do Ressuscitado” animam a nossa caminhada e - como costumo dizer parafraseando São João XXIII e o Papa Francisco - nos fazem ser “uma Igreja pobre, para os pobres, com os pobres e dos pobres”
Na Igreja Povo de Deus, é a partir da Opção Fundamental que se elabora a Organização Eclesial, com suas Prioridades Pastorais, em todos os níveis: comunitário, paroquial, regional e diocesano.
A Comunidade Eclesial de Base (CEB) é “o primeiro e fundamental núcleo eclesial” ou “a célula inicial da estrutura eclesial” (Medellín. XV, 10). A Paróquia é “um conjunto pastoral unificador das Comunidades de Base” (Ib., 13). Quanta estrada temos que percorrer ainda para chegarmos a entender e a viver isso!
As principais instâncias da Coordenação Pastoral, em todos os níveis, são: a Assembleia Eclesial. o Conselho Pastoral (incluindo também o Conselho Econômico) e a Equipe de Coordenação Executiva.
A Diocese de Goiás merece o nosso sincero reconhecimento de irmãos e irmãs. Sua Opção Fundamental é uma luz para a Igreja hoje: os seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré. Sua Opção Fundamental mostra-nos uma Igreja que quer voltar às fontes, se libertando das influências negativas do Imperialismo, do Feudalismo e do Capitalismo, que foi acumulando no decorrer da história. “Entre vocês - diz Jesus aos discípulos e discípulas - não deve ser assim: quem de vocês quer ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, e quem de vocês quer ser o primeiro, deve tornar-se o servo de todos” (Mc 10, 43-44). Jesus “revoluciona” todos os critérios da convivência humana na sociedade e no mundo.
A Opção Fundamental da Diocese de Goiás renova a nossa esperança e nos compromete com a “Igreja da Caminhada”.
Enfim, soube que as Comunidades e todas as instâncias pastorais da Diocese de Goiás estão vivendo - em clima de comunhão e participação - o seu tempo de Assembleia, com questionários, orações, encontros, e Assembleias menores. Tudo isso é de fundamental importância para a missão e a vida da Igreja. Desejo-lhes, pois, que este tempo de Assembleia seja um momento forte do Espírito, um verdadeiro Pentecostes a serviço da vida das pessoas e de toda a criação nesta porção de chão do cerrado.






Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 04 de outubro de 2017 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Padre Geraldo: “essa homenagem eu ganhei pelos excluídos”


Senti muito por não estar presente pessoalmente na sessão solene extraordinária da Assembleia Legislativa (do dia 21 de setembro, à noite), na qual - por iniciativa do deputado Karlos Cabral (PDT) - foi entregue o Título de Cidadão Goiano ao Padre Geraldo Marcos Labarrère Nascimento (jesuíta), “em reconhecimento à sua luta em defesa dos Direitos Humanos e da Juventude ao longo dos mais de 20 anos que viveu em Goiás”. Considero Padre Geraldo um verdadeiro irmão, amigo e companheiro de caminhada.
O deputado Karlos Cabral, em seu discurso, destacou o trabalho de Padre Geraldo na Casa da Juventude Pe. Burnier (CAJU). “Homenagear o Geraldo é fazer jus à sua luta e à pregação do Evangelho. Essa luta é muito bem representada pelo Geraldo, que é mineiro, mas se fez goiano de coração. Eu conheci o Geraldo na CAJU, um espaço que por mais de 30 anos se fez uma casa de oportunidades e que transformou centenas ou milhares de jovens. A CAJU marcou muitas juventudes sendo lugar de resistência, de debates, de empoderamento e de proteção”.
Em 2006, Padre Geraldo ajudou a criar a Campanha “A Juventude Quer Viver”, que defendia a implantação de políticas públicas de juventude e lutava contra a redução da maioridade penal. No mesmo ano, participou da fundação do “Comitê Goiano pelo Fim da Violência Policial”, quando começou a receber inúmeras ameaças.
Karlos Cabral lembrou que - depois da transferência de Padre Geraldo para São Paulo, por causa de perseguições sofridas (devido a denúncias contra a violência policial) e também (acrescento eu) por causa de “interferências religiosas” não esclarecidas - a CAJU foi fechada. Com palavras fortes, o deputado afirmou: “Mataram a CAJU, e apagaram a vida de muita gente junto, mas não mataram a semente que caiu no chão e dessa semente nasceu o Cajueiro”, que - com muita garra e criatividade - continua hoje o mesmo trabalho.
A ex-vereadora Cidinha Siqueira - militante dos Direitos da Pessoa com Deficiência e propositora da Lei que concedeu ao Padre Geraldo a cidadania goianiense, afirmou: “É uma grande alegria poder estar aqui e falar do Padre Geraldo pois ‘tudo colabora para o bem daqueles que amam a Deus’. Geraldo ajudou a derrubar barreiras do preconceito, da comunicação para as pessoas com deficiência. Em nome de todas as pessoas com deficiência eu agradeço a sua história de vida, o quanto você semeou dignidade da pessoa humana e isso significa muito para nós”.
Carmem Lúcia Teixeira, amiga de Padre Geraldo, disse: “Faz tempo que ele está exercitando para ser goiano. Quando o acolhi em Goiás percebi o quanto ele se entusiasmava com tudo que ele fazia e isso nos entusiasmava também. Uma das coisas que percebemos na CAJU é que, quando você trabalha com jovens e pobres, terá muitas barreiras pela frente. Ele nos ensinou a enxergar mais longe, porque ele foi educando nosso olhar com sua sensibilidade. Aprendemos com ele que precisamos ter esperanças mesmo que não haja como tê-las”.
A deputada Adriana Accorsi (PT) salientou: "Essa homenagem é importante, corajosa e nos inspira nesse momento que o país passa, não apenas pelo golpe que tira direitos, mas pelo ódio e o preconceito que estão sendo disseminados. Homenagear o Padre Geraldo é muito importante para nos dar coragem e nos inspirar a continuar a nossa luta".
O ex-deputado Mauro Rubem falou da luta do Padre Geraldo. “Você conhece ele na hora do sofrimento, da dor, na hora do velório. Ele não abaixa a cabeça e levanta a voz”.
Por fim, Padre Geraldo agradeceu dizendo: “A gente não se dá conta que o mundo está andando, que a gente agarra em um anzolzinho e continua agarrado. Eu só trabalho com gente excluída, vamos imaginar uma homenagem aos excluídos. Essa homenagem eu ganhei pelos excluídos, pessoas excluídas estruturalmente e intencionalmente. Não temos que viver pagando pedágio para os outros, nós somos um povo quase adulto, temos que pensar nas pessoas que vivem aqui. O mundo está crescendo e evoluindo, temos que nos adaptar às situações atuais, ao povo, ao respeito. A gente aprende com o povo, com os torturados, com os gays. Nós temos que acreditar que o mundo vai melhorar, mas não na teoria, temos que acreditar na prática. A gente acha que as pessoas são merecedoras de caridade, mas elas são merecedoras de direito.  Pessoas merecem respeito, independentemente de quem sejam”.
Para o Padre Gerando e todos/as que lutamos por outro mundo possível, a vida não nos pertence, é vida doada. Por isso, o que conta não é o título recebido, mas as pessoas homenageadas: os nossos irmãos e irmãs excluídos e excluídas. Se fosse o título, tenho certeza que Padre Geraldo - e todos/as nós como companheiros/as dele - ficaríamos sem jeito e até envergonhados/as por estarmos em companhia de tantas pessoas “não gratas” (más companhias) - como o golpista Michel Temer - que também receberam o título de cidadãos goianos.
Somos felizes, porque atualmente Padre Geraldo mora e trabalha na cidade de Goiás (Fraternidade da Anunciação - Mosteiro da Anunciação do Senhor) e presta assessorias sobre Direitos Humanos em todo o País.
Padre Geraldo, parabéns pelo seu testemunho de vida! Você e eu somos jovens há bastante tempo, mas continuamos na luta. Que Deus nos abençoe e Nossa Senhora da Terra nos acompanhe!
(Fonte: https://portal.al.go.leg.br/noticias/ver/id/153838/cidadao+goiano).




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 27 de setembro de 2017

sábado, 23 de setembro de 2017

É muita cara de pau!


O golpista Michel Temer - que, juntamente com o então presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha, tramou de maneira covarde e traiçoeira o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, escreveu o artigo “Foco no que interessa ao Brasil!” (Diário da Manhã, Caderno Opinião Publica, Capa, 17/09/17). É muita cara de pau! É muita mentira! É muita sem-vergonhice! Para ser verdadeiro, o título do artigo deveria ser “Foco no que interessa aos detentores do poder econômico”. Michel Temer, apoiado por uma corja de políticos corruptos e oportunistas, deve estar pensando que todos os trabalhadores e trabalhadoras são idiotas!
Falando de suas viagens ao exterior, declara: “Buscarei investimentos para o Brasil. Terei encontros com bancos e formadores de opinião para falar sobre as oportunidades econômicas que nosso país oferece, além de reafirmar o compromisso do meu Governo com a agenda de reformas”.
Descaradamente, continua afirmando: “Promover nossa economia no exterior se tornou uma tarefa muito mais simples agora que saímos da recessão e adotamos políticas necessárias para modernizar o país e dar sustentabilidade ao crescimento”.
E ainda: “Desde que meu governo assumiu, há 16 meses, aprovamos projetos essenciais para alavancar mudanças que, há tempos, eram ansiadas: o teto para os gastos públicos, a renegociação de dívidas estaduais, a modernização da reforma trabalhista e a regulamentação do trabalho terceirizado, para citar apenas os de maior impacto econômico. Estamos executando, ainda, um plano robusto de desestatização (leia: venda do Brasil!), que já abarca 146 empreendimentos, entre portos, rodovias, ferrovias, usinas hidrelétricas e estatais. Desse total, 48 projetos já foram concluídos”.
Pergunto: as mudanças de que fala Temer eram ansiadas por quem? A resposta é simples. Eram ansiadas pelos donos do poder financeiro mundial, adoradores do deus dinheiro, que querem aumentar ao máximo a exploração dos trabalhadores e trabalhadoras até sugarem sua última gota de sangue. É o poder do mal! É o poder do demônio!
No dia 14 de setembro (Dia Nacional de Lutas, Mobilização e Paralização em Defesa do Serviço Público, contra a Reforma da Previdência e pela Revogação da Reforma Trabalhista”), o “Fórum Goiano Contra as Reformas da Previdência e Trabalhista” - como manifestações perversas e iníquas das Reformas, ou melhor, Contrarreformas - destacou::
  • O assalto ao fundo público para garantia dos ganhos dos rentistas que se beneficiam do sistema de dívida pública e da lucratividade do empresariado por meio da Emenda Constitucional 95, que reduz drasticamente os investimentos em saúde, educação, previdência social, mobilidade urbana e demais serviços públicos por 20 anos;
  • A regulamentação da Terceirização irrestrita, que proporciona a demissão e a redução dos salários da grande massa dos trabalhadores/as;
  • A Reforma Trabalhista, que - ao sobrepor o negociado ao legislado - acarretará uma deterioração das condições de trabalho e das relações trabalhistas;
  • E a pretendida aprovação da Reforma da Previdência (PEC 287/16), que - em sendo aprovada - desmontará o sistema de seguridade social vigente e inviabilizará o direito à aposentadoria para a maioria dos trabalhadores/as” (Impresso).
O artigo inteiro de Michel Temer visa enganar o povo com uma enxurrada de mentiras e dados falsos. Todas as Reformas, ou melhor, Contrarreformas que foram aprovadas prejudicam os trabalhadores/as e acabam com os poucos direitos que eles e elas conquistaram a duras penas e com muitas lutas.
O custo da chamada crise do Brasil, que é parte da crise mundial do capitalismo, está sendo jogado nas costas dos trabalhadores e trabalhadoras.
Os atos de corrupção de políticos e governantes inescrupulosos são reflexos ou manifestações de um sistema estruturalmente corrupto, que é o sistema capitalista neoliberal. Michel Temer e seus asseclas são capachos - muito bem remunerados - desse sistema iniquo
Cito só um exemplo para ilustrar a perversidade diabólica do sistema capitalista neoliberal: No Brasil, empresas deixam de pagar cerca de R$ 500 bilhões ao Estado anualmente, mesmo valor gasto na Previdência Social (veja a lista das 500 empresas que mais devem à União - com a Vale, a Carital Brasil LTDA e a Petrobras no 1º, 2º e 3º lugar respectivamente - em: http://www.conjur.com.br/2015-out-14/fazenda-divulga-500-maiores-inscritos-divida-ativa-uniao).
O combate à sonegação e evasão fiscal seria suficiente para cobrir os gastos com a Previdência. Precisamos desmascarar a hipocrisia e as mentiras dos adoradores do deus dinheiro.
Os trabalhadores e trabalhadoras - unidos e organizados - devem lutar contra a prática da corrupção de políticos e governantes, mas devem sobretudo lutar para abrir caminhos novos que levem à mudança do sistema capitalista neoliberal, que é legal e estruturalmente corrupto e perverso.
Contra a Reforma da Previdência! Pela revogação da Reforma Trabalhista! Nenhum direito a menos!
Em tempo: O discurso de Michel Temer - “O compromisso do Brasil com o desenvolvimento” - na ONU (19/09/17) é outra enxurrada de mentiras, a começar pelo título. Pergunto: o desenvolvimento de quem? Só se for dos ricos para se tornarem cada vez mais ricos, à custa do sangue dos trabalhadores/as. Que descaramento! Que farisaísmo! 




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 20 de setembro de 2017 

sábado, 16 de setembro de 2017

Pecado de omissão da Igreja


A respeito do 23º Grito dos Excluídos 2017 - cujo tema é “Vida em primeiro lugar” e lema “Por direitos e democracia, a luta é todo dia” - a CNBB Nacional enviou às Comunidades, Paróquias e Dioceses três Cartas ou Mensagens. A primeira “Apoio ao 23º Grito dos Excluídos” (12 de julho) da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora (Pastorais Sociais) solicita “efetivo apoio” ao 23º Grito dos Excluídos/as 2017.
A segunda “Unidos para servir” (16 de agosto), da Presidência da CNBB, pede que o dia 7 de setembro seja também um dia de oração e jejum pelo Brasil. A terceira “Vida em primeiro lugar” (31 de agosto), também da Presidência da CNBB, pede novamente às Comunidades o apoio ao 23º Grito dos Excluídos/as. “Encorajamos, mais uma vez, as pessoas de boa vontade, particularmente em nossas Comunidades, a se mobilizarem pacificamente na defesa da dignidade e dos direitos do povo brasileiro, propondo ‘a vida em primeiro lugar’”.
Apesar dessas Cartas, muitas Dioceses - como a Arquidiocese de Goiânia - não atenderam ao pedido da CNBB e preferiram o silêncio, a indiferença e o desinteresse, lavando as mãos como Pilatos e traindo Jesus na pessoa dos Excluídos/as como Judas. A Arquidiocese de Goiânia, em seus meios de comunicação, como o “Encontro Semanal” (distribuído em todas as Comunidades e Paróquias) e outros, não publicou uma só palavra sobre o 23º Grito dos Excluídos/as.
É uma falta de comunhão com a CNBB. As Cartas - dizem os defensores desse posicionamento - não têm caráter de obrigatoriedade. Que visão legalista e farisaica! A comunhão constrói-se a partir do compromisso com a promoção da vida e não do que é canonicamente obrigatório.
Para quem (como eu, que fui colaborador direto de Dom Fernando Gomes dos Santos) acompanhou e viveu intensamente a caminhada de renovação pós-conciliar da Igreja de Goiânia na década de setenta e oitenta, tudo o que está acontecendo hoje é muito doido! O Papa são João XXIII abriu as janelas (e as portas) da Igreja para que entrasse ar puro, mas atualmente muitas Igrejas locais (Dioceses) preferem fechar novamente as janelas (e as portas) e ficar com o ar contaminado. É uma provação pela qual a Igreja da Caminhada - como se costumava chamar - está passando. Ela não morreu! Está muito viva, mesmo que seja nas catacumbas! Ela voltará fortalecida e com mais vigor! Tenho certeza, na fé, que Deus vai me dar a graça de ver esse dia!
A desculpa apresentada para tentar justificar a não participação no 23º Grito dos Excluídos/as foi: o Grito defende algumas bandeiras com as quais a Igreja não concorda. Ora, se os seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré são chamados a ser sal da terra, luz do mundo e fermento na massa, podem - eles e elas - escolher o tipo de terra que querem salgar, o tipo de mundo que querem iluminar e o tipo de massa que querem fermentar? Não é isso um absurdo?
Vejam com que simplicidade, respeito e espírito fraterno o Papa Francisco - no meio dos Movimentos Populares - se coloca diante da questão da diversidade e das diferenças. “Nós que hoje estamos aqui, de diferentes origens, credos e ideias, talvez não estejamos de acordo acerca de tudo, certamente pensamos de modo diverso sobre muitas coisas, mas sem dúvida estamos de acordo sobre estes pontos”, ou seja, as três tarefas imprescindíveis para a mudança de estruturas e a construção de uma alternativa humana: “pôr a economia ao serviço dos povos; construir a paz e a justiça e defender a Mãe Terra” (Discurso aos participantes do 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Roma - Itália, 05/11/16)
Vejam também o que diz o Papa a respeito da participação dos cristãos/ãs nos Movimentos Populares e o convite que ele faz a todos e todas nós. “Soube que são muitos na Igreja aqueles que se sentem mais próximos dos Movimentos Populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vocês, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada Diocese, em cada Comissão ‘Justiça e Paz’, uma colaboração real, permanente e comprometida com os Movimentos Populares. Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais, a aprofundar este Encontro” (Discurso aos participantes do 2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 09/07/15).
Por que muitos padres e bispos - pastores de Comunidades, Paróquias e Dioceses - não fazem como o Papa e não atendem ao seu convite? Por que a Arquidiocese de Goiânia não publicou uma palavra sequer sobre os três Encontros Mundiais dos Movimentos Populares com o Papa, que são a “marca registrada” do seu ministério pastoral?
Infelizmente, temos hoje na Igreja dois tipos de oposição ao Papa Francisco: a direta - que, mesmo não concordando com ela, devemos respeitar - e a silenciosa, que é uma oposição seletiva e cita do Papa só aquilo que lhe interessa. Essa oposição é hipócrita e farisaica! Não podemos aceita-la!
Apesar do boicote silencioso de muitas Igrejas locais (Dioceses) - que é um grave pecado de omissão, do qual os responsáveis terão que prestar conta a Deus - o Grito dos Excluídos/as aconteceu no Brasil inteiro e alcançou seus objetivos.
Em Goiânia - como foi amplamente divulgado - o Grito aconteceu na Região Noroeste. Participaram mais de 500 pessoas, a maioria líderes de Movimentos Populares e Sindicais, animadores e animadoras de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), agentes das Pastorais socioambientais, da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e (um testemunho que nos edificou a todos e todas) muitas religiosas inseridas, que (com o apoio da CRB Nacional e Regional) vivem a vida do povo e são solidárias com suas lutas (mesmo tendo que enfrentar às vezes - como diz o Papa Francisco - a “peste do clericalismo”. Os Padres éramos três.
Pela gravidade das situações que os nossos irmãos e irmãs vivem - entre os presentes no Grito - merecem um destaque especial e todo nosso apoio o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) e o Movimento Nacional dos Trabalhadores/as Sem Teto (MTST).
À luz da fé, fizemos a experiência da presença de Jesus de Nazaré. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome (ou seja, por causa de mim e do meu projeto de vida), eu estou no meio deles” (Mt 18, 20).
Lembremos as palavras do Papa Francisco - pronunciadas há poucos dias - que nos animam a todos/as e fortalecem a nossa esperança. “Existem os pecados dos dirigentes da Igreja, carentes de inteligência ou que se deixam manipular. Mas a Igreja não são os bispos, os papas, os padres. A Igreja é o povo” (Dominique Woltom. Francisco - “socialmente um pouco franciscano, intelectualmente um pouco dominicano e politicamente um pouco jesuíta”. Instituto Humanitas Unisinos - IHU, 12/09/2017. Em: http://www.ihu.unisinos.br/571571-voce-sabe-como-um-argentino-se-suicida).
Na medida em que - diz ainda Francisco - nos envolvermos com a vida de nosso povo fiel e sentirmos a profundidade de suas feridas, podemos ver, sem filtros clericais, o rosto de Deus” (Em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/567500-papa-aos-bispos-do-celam-despojar-se-dos-filtros-clericais).
Trata-se de diariamente trabalhar no campo, lá onde vive o Povo de Deus. A missão se faz no corpo a corpo” e - acrescento eu - não morando em palacetes (Em: http://br.radiovaticana.va/news/2017/09/07/papa_aos_bispos_do_celam_a_miss%C3%A3o_se_faz_no_corpo_a_corpo/1335393).
A proposta dos Grupos Bíblicos, das Comunidades Eclesiais de Base e dos Conselhos Pastorais - continua o Papa - se colocam na linha de superação do clericalismo e de um crescimento da responsabilidade dos leigos”. (Em: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130728_gmg-celam-rio.html). Meditemos!

A esperança nunca morre! Vamos à luta!




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 13 de setembro de 2017 

domingo, 10 de setembro de 2017

16ª Romaria da Terra e das Águas de Goiás


No dia 2 de setembro milhares de romeiros e romeiras, trabalhadores e trabalhadoras de toda a Diocese de Goiás e também de outras Dioceses do Estado se encontraram na cidade de Itapuranga (GO) para a realização da 16ª Romaria da Terra e das Águas (e das Sementes).
O tema escolhido foi "Organização popular e Luta por Direitos" e o lema “Memória, Rebeldia e Esperança.
Com a escolha do tema e do lema, a Romaria quis destacar a necessidade de ampliar e intensificar a organização popular para combater a concentração das terras, a destruição dos biomas brasileiros (de maneira especial, do cerrado), a contaminação das águas e a criminalização dos Movimentos Populares. Quis destacar também a necessidade de ampliar e intensificar a luta por direitos para defender a Mãe Terra, as sementes, a agroecologia familiar e comunitária, a soberania alimentar (direito de todos/as de produzir. distribuir e consumir alimentos saudáveis) e todos os direitos que estão sendo tirados. “Nenhum direito a menos!”.
Quis destacar ainda a necessidade de fazer a memória das lutas populares, dos mártires e da Igreja da Caminhada; a necessidade de rebeldia dos cristãos/ãs - sobretudo jovens - e de todas as pessoas frente ao sistema capitalista neoliberal, que é um sistema de exploração e ganância; e a necessidade de alimentar a esperança de uma boa convivência com o meio ambiente e de um mundo fraterno e justo em Cristo.
No mesmo dia da Romaria - na parte da manhã - a Pastoral da Juventude da Diocese de Goiás realizou o Dia Nacional da Juventude (DNJ), que contou com aproximadamente 500 jovens. O encontro aconteceu na Igreja Nossa Senhora de Fátima - iniciando às 8h e encerrando com o almoço - e foi marcado por momentos orantes, oficinas culturais, danças e muita cantoria. O DNJ teve como tema: “Juventude em defesa da vida, dos povos e da Mãe Terra”. No período da tarde, os jovens continuaram celebrando seu dia participando da Romaria da Terra e das Águas.
A Romaria foi organizada pela Diocese de Goiás, CPT diocesana e CPT Regional Goiás, com o apoio da CNBB Regional Centro Oeste e da Comissão das Pastorais Sociais da CNBB Nacional. Logo na chegada (no início da tarde), os romeiros e as romeiras foram recepcionados por grupos da Paróquia de Itapuranga que davam informações e orientações sobre a Romaria.
Na Feira Coberta da cidade - éramos quase cinco mil pessoas (entre as quais muitos/as jovens) - começou a Romaria com a acolhida das diversas caravanas de romeiros e romeiras que vinham das Paróquias da Diocese de Goiás e também de outras Dioceses do Estado. Da Paróquia Nossa Senhora da Terra do Jardim Curitiba III (Arquidiocese de Goiânia) éramos uma delegação de mais de oitenta pessoas (dois ônibus).
Foram acolhidos também representantes de Movimentos Populares do campo e da cidade, de Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras e alguns políticos (infelizmente, poucos), que apoiam a luta popular.
Ainda na Feira Coberta houve algumas falas concluindo com um momento de oração, presidido por Dom Eugênio Rixem, bispo de Goiás. Logo em seguida a equipe de animação convidou a todos e todas para a caminhada pelas principais ruas do Centro de Itapuranga. Estavam presentes também Dom Messias, bispo da Diocese de Uruaçu e Presidente da CNBB Regional Centro Oeste e Dom Guilherme, bispo da Diocese de Ipameri e Presidente da Comissão das Pastorais Sócias da CNBB Nacional.
Durante a caminhada, foi feita - com uma bonita encenação - a memória dos mártires da luta. Terminada a caminhada, todos e todas nos encontramos às margens do lago da cidade onde houve shows culturais, fala dos Movimentos Populares e lançamento do CD “O Povo Canta sua luta” da Diocese de Goiás.
A Romaria concluiu com a Celebração Eucarística, presidida por Dom Eugênio Rixen e concelebrada por Dom Messias, Dom Guilherme, Pe. Antonio Motta (Vigário Geral), Pe. Celso Carpenedo (Pároco de Itapuranga e Coordenador Diocesano de Pastoral) e alguns padres que estavam no meio do povo. A Celebração - que começou às 19h e terminou depois das 21h - foi um tempo forte de espiritualidade libertadora que nos confirmou a todos e todas na luta. Por ser uma Celebração muito rica em beleza e simbologia, representou - com seus cantos - o ápice do dia.
Em sua homilia Dom Eugênio iniciou saudando a todos os presentes e disse: “Passamos esse dia e foi um dia muito lindo, muito bem preparado onde muita gente se envolveu realmente e nós ficamos felizes de estarmos juntos aqui na mesma luta e no mesmo sonho”. Lembrou ainda que a pior coisa que pode acontecer é matar a esperança do povo e conclui citando a frase do mártir vivo Pe. Francisco Cavazzuti: “Aqui as forças da morte não venceram a vida”.
A Diocese de Ipameri irá acolher a 17ª Romaria da Terra, das Águas e das Sementes (Fonte: http://www.diocesedegoias.org.br/).
Na Romaria da Terra e das Águas fizemos a experiência da presença do Deus dos Oprimidos/as (Excluídos/as, Descartados/as), que caminha com seu povo e é um Deus Libertador. “Vi a miséria do meu povo, ouvi o seu clamor e conheci seu sofrimento, por isso desci para libertá-lo” (Ex 3, 7-8).
Por acreditar nesse Deus Libertador e por ser seguidor de Jesus de Nazaré (o maior revolucionário da história) - com dor no coração, mas com amor à Igreja - quero denunciar e lamentar o desinteresse e a indiferença da Arquidiocese de Goiânia e de outras Dioceses de Goiás (sobretudo de seus pastores: bispos e padres) em relação à Romaria da Terra e das Águas. Esse desinteresse e essa indiferença é um pecado de omissão,
Comunico aos romeiros e romeiras da 14ª Romaria da Arquidiocese de Goiânia - que foram a Aparecida do Norte justamente na data da Romaria da Terra e das Águas de Goiás - que perderam a viagem. Nossa Senhora Aparecida não estava lá, mas tinha ido a Itapuranga (GO) para participar da Romaria da Terra e das Águas. No dia 2 sentimos - de maneira muito forte - sua presença no meio de nós e às 18h (horário da Missa da Romaria da Arquidiocese de Goiânia em Aparecida do Norte), Nossa Senhora Aparecida estava nas margens do lago da cidade de Itapuranga, para participar - junto com todos os trabalhadores e trabalhadoras - da Celebração final da Romaria da Terra e das Águas. Tenho certeza que Nossa Senhora Aparecida teria gostado muito que a Arquidiocese de Goiânia tivesse incentivado os romeiros e as romeiras a irem a Itapuranga, deixando a Romaria a Aparecida do Norte para outra data.

Lutemos por uma Igreja pobre, para os pobres, com os pobres e dos pobres! É o sonho de Jesus de Nazaré! É o sonho do Concílio Vaticano II e de Medellín! É o sonho, hoje, da Igreja das catacumbas!




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 06 de setembro de 2017 
A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos