sábado, 18 de novembro de 2017

1º Dia Mundial dos Pobres



No dia 20 de novembro de 2016, na conclusão do Ano Santo extraordinário da Misericórdia - com a Carta Apostólica “Misericórdia et mísera” - o Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado sempre em novembro e, neste ano, no dia 19 (próximo domingo).
No dia 13 de junho passado, o Papa publicou a Mensagem “Não amemos com palavras, mas com obras” para o 1º Dia Mundial dos Pobres.
Na Mensagem ele afirma: “No final do Jubileu da Misericórdia, quis oferecer à Igreja o ‘Dia Mundial dos Pobres’, para que as Comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor, sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais necessitados”.
Diz ainda: “Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste Dia, em todos aqueles e aquelas que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão” (6).
A misericórdia - lembra-nos o Documento de Aparecida - sempre será necessária, mas não deve contribuir para criar círculos viciosos que sejam funcionais a um sistema econômico iníquo. Requer-se que as obras de misericórdia estejam acompanhadas pela busca de uma verdadeira justiça social, que vá elevando o nível de vida dos cidadãos, promovendo-os como sujeitos de seu próprio desenvolvimento” (385).
À luz da Mensagem de Francisco e a partir do texto citado, faço algumas reflexões sobre as obras de misericórdia e o compromisso com a justiça.
A misericórdia é o amor que acontece ou - em outras palavras - é o amor que se faz história do ser humano e do mundo. Para que as nossas obras de misericórdia sejam realmente humanas e evangélicas (isto é, radicalmente humanas) devemos sempre considerar as pessoas que se encontram em situação de necessidade (seja qual for) como filhos e filhas de Deus, irmãos e irmãs em Cristo (não só na teoria, mas sobretudo na prática); e ir ao encontro dessas pessoas com o desejo de partilhar a vida e os bens, tratando-as como sujeitos de sua própria história (não como objetos de “caridade”, que - na realidade - não tem nada de caridade). Precisamos ser bons samaritanos e boas samaritanas hoje.
Infelizmente, além de obras de misericórdia realmente humanas e evangélicas, temos também - mesmo nas Igrejas - obras de assistência social (não propriamente obras de misericórdia) que - mesmo oferecendo alguma ajuda material às pessoas necessitadas - não são humanas e evangélicas.
Existem pessoas - e muitas delas se dizem cristãs (católicas ou evangélicas) -que realizam obras de assistência social por “egoísmo religioso”, como tranquilizante de consciência (o único que não se encontra nas farmácias) e para ganhar o céu, ou meramente “por pena”. Os assistidos e assistidas são tratadas como “objetos de caridade” e até com certo nojo.
Só para citar um exemplo, lembro-me de uma senhora - esposa de um político muito conhecido - que, depois de oferecer ajuda material aos pobres, voltava para a sua casa e tomava banho com desinfetante. Ela não percebia - ou não queria perceber - que o seu lar era muito mais infeccionado que o dos pobres.
A respeito das obras de assistência social, temos também outro comportamento igualmente desumano e antievangélico: o de Igrejas (Dioceses, Paróquias e Comunidades) que falam de boca cheia e até com certo orgulho de suas numerosas obras sociais, mas não dizem uma palavra sequer de denúncia das estruturas sociais injustas (que são a causa da miséria da grande maioria do nosso povo) para não desagradar os poderosos. A grande maioria dos membros dessas Igrejas - hipócrita e farisaicamente - não participam (como, em nome de sua consciência cidadã e de sua Fé, deveriam fazer) das lutas dos Movimentos Sociais Populares para mudar essas estruturas injustas e construir outro mundo possível. Preferem - como já afirmei em outra ocasião - ser Igrejas de Pilatos (que lavam as mãos) ou Igrejas de Judas (que traem Jesus nos pobres).
Como desculpa para não participar, algumas dessas pessoas dizem que os Movimentos Sociais Populares - além de bandeiras que são justas - defendem também outras bandeiras com as quais não podem concordar.
Pergunto: Os cristãos e cristãs não devem ser sal da terra, luz do mundo e fermento na massa?
Será que Jesus de Nazaré pediu aos seus discípulos e discípulas para escolherem a comida que devem salgar, o mundo que devem iluminar e a massa que devem fermentar? Não é isso um absurdo?
No 1º Dia Mundial dos Pobres, ouçamos o convite do Papa Francisco a todos os cristãos e cristãs: “Soube que são muitos na Igreja aqueles e aquelas que se sentem mais próximos dos Movimentos Populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vocês, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada Diocese, em cada Comissão ‘Justiça e Paz’, uma colaboração real, permanente e comprometida com os Movimentos Populares.
Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais, a aprofundar este encontro” (Discurso do Papa Francisco aos participantes do 2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 09/07/15).
Celebremos com muita fé e esperança o 1º Dia Mundial dos Pobres!




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 15 de novembro de 2017


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Uma afronta à dignidade da população negra


Luislinda Valois, ministra dos Direitos Humanos, no dia 3 de outubro apresentou ao Governo um pedido para acumular o seu salário com o de desembargadora aposentada, o que lhe garantiria um rendimento bruto de R$ 61,4 mil. Ela reclama que, por causa do teto constitucional, só pode ficar com R$ 33,7 mil. Diz também que essa situação, “sem sombra de dúvidas, se assemelha ao trabalho escravo, o que também é rejeitado, peremptoriamente, pela legislação brasileira desde os idos de 1888 com a Lei da Abolição da Escravatura”. Com o maior descaramento, afirma ainda: “todo mundo sabe que quem trabalha sem receber é escravo”.
A comparação que a ministra faz com o trabalho escravo, além de ser de um cinismo repugnante, é uma falta de respeito e uma ofensa a todos os trabalhadores e trabalhadoras, principalmente negros e negras.
O Código Penal define trabalho análogo ao de escravo o que submete a pessoa a condições degradantes, jornada exaustiva, trabalho forçado, cerceamento de locomoção e servidão por dívida. Ora, sendo ministra, Luislinda tem direito a carro com motorista, jatinhos da FAB, cartão corporativo, imóvel funcional e salário de R$ 30,9 mil. Como pode ter o despudor de afirmar que sua situação se assemelha ao trabalho escravo? É realmente sem-vergonhice!
Luislinda justifica, pois, seu pedido dizendo que o cargo de ministra lhe impõe muitos custos, como se “vestir com dignidade” e “usar maquiagem”. A dignidade, ministra, não está nas vestimentas ou no cargo, mas na pessoa humana. O nosso irmão ou irmã que mora na rua tem a mesma dignidade do presidente da República, sua e de qualquer um de nós.
Pergunto: uma mulher como essa pode ser ministra dos Direitos Humanos? Que Direitos Humanos ela irá defender e promover? A nomeação de Luislinda é uma prova que o Governo ilegítimo do golpista Michel Temer não está nem aí com os Direitos Humanos.
Diante da polêmica que seu pedido suscitou e da indignação que provocou, a ministra Luislinda Valois - em nota divulgada no dia 2 deste mês de novembro - desistiu do pleito. Infelizmente, porém, o fato fica e fala por si mesmo.
Manifesto total apoio e irrestrita solidariedade à “Nota de Repúdio às declarações da Ministra Luislinda Valois” (03/11/2017), assinada pela Convergência Negra - Articulação Nacional do Movimento Negro Brasileiro, e subscrita pelas: Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN; Agentes de Pastoral Negros - APNs; Círculo Palmarino; Coletivo de Entidades Negras - CEN; Coordenação Nacional de Entidades Negras - CONEN; Quilombação; Rádio Exu - Comunicação Comunitária de Matriz Africana; Movimento Negro Unificado - MNU; Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana - REATA; UNEGRO - União de Negros e Negras pela Igualdade; Enegrecer - Coletivo Nacional de Juventude Negra;
Movimento Consciência Negra de Butia - RS; Secretaria de Combate ao Racismo da CUT; Soweto; Grupo de União e Consciência Negra - GRUCON.
A Nota começa dizendo: “As Entidades do movimento negro brasileiro repudiam as declarações da ministra Luislinda Valois, que assim como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, ao fazer referência a tragédia da escravidão que submeteu milhares de negros e negras a uma condição perversa e desumana - um crime contra a humanidade, declarado pela ONU - apropriou-se desse fato histórico trágico para obter benefícios próprios relativos ao seu salário”
Afirma também: “Não obstante não nos furtamos em observar que esse ano o Juiz Sérgio Moro percebeu o salário superior ao teto constitucional durante vários meses e a justificativa para tal descalabro são as generosas cestas de auxílios e adicionais eventuais comumente utilizados no expediente do sistema de justiça para burlar o teto constitucional e assim beneficiar milhares de juízes Brasil afora. O que também representa uma violência para a sociedade brasileira como um todo”.
Voltando a ministra Luislinda, declara: “Entendemos que reivindicar privilégios e participar de um Governo que quer acabar com os direitos trabalhistas, com o combate ao trabalho escravo e as políticas de inclusão racial, além de silenciar frente ao racismo religioso e as demais violências sofridas pelos povos de terreiros e comunidades quilombolas em todo o país é um contra-senso”.
Declara pois: “Além de afrontar a dignidade da população negra, a posição da ministra é um atestado cabal da falta de compromisso com o combate ao racismo e com verdadeira cidadania de negros e negras. Não resta dúvida que estamos vivendo um momento em que a violência contra as mulheres, negros, grupos LGBT, quilombolas e índios está se naturalizando e a posição equivocada da ministra é um retrato desses ataques”.
Reconhece, pois, que a nomeação de Luislinda Valois “é reveladora do desapreço que o Governo Temer (ilegítimo) tem pela comunidade negra e o gravíssimo problema do racismo no Brasil”.
Enfim, “também é sintomático o fato de (o golpista) Temer olhar para o Brasil e não conseguir enxergar os milhares de homens e mulheres negras com altíssimo nível de comprometimento político com os anseios e demandas da população negra para ocupar qualquer cargo na Esplanada dos Ministérios, ou estaria ele ciente de que a maioria de nós jamais compactuaria com um Governo ilegítimo que se instituiu através de opressões, desmandos e violências?”.
A Nota conclui declarando: “A ministra não representa o povo negro, não representa as mulheres negras e nem aqueles que lutam pelo fim do racismo. Estamos por nossa própria conta! O povo negro não vai se calar frente ao racismo!” (http://www.cenbrasil.org.br/nota-de-repudio-as-declaracoes-da-ministra-luislinda-valois/ ).
Termino fazendo minhas as palavras do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia: “Usar o passado nefasto da escravidão para obter um privilégio ilegal é mais um deboche contra a sociedade”.  “A lei é clara e deve valer para todos, independentemente da função ou profissão exercida. O teto constitucional hoje é uma ficção. Isso precisa mudar. A comparação com a escravidão foi feita indevidamente. A ministra tenta deslocar para essa situação um argumento que não se aplica ao caso” (http://www.portalradioreporter.com.br/2017/11/03/presidente-da-oab-critica-ministra-luislinda-valois/)
As surpresas desagradáveis não acabaram! Novas aparecerão! Em nome de nossa cidadania e de nossa Fé, continuemos a luta! Outro Brasil é possível e necessário!





Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 08 de novembro de 2017



sábado, 4 de novembro de 2017

Bandidagem política


Quando pensamos que já vimos tudo o que podíamos ver e que não há mais nada a ver a respeito de bandidagem política, é justamente nesse momento que ficamos surpreendidos com novos fatos. A esperteza calculista e a perversidade premeditada de políticos e governantes (graças a Deus, não todos) são de um descaramento e de uma sem-vergonhice tão grande que não têm limites. São atitudes repugnantes e diabólicas! “Os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz” (Lc 16, 8). Hoje, temos políticos e governantes que são verdadeiros demônios a serviço dos interesses dos poderosos e dos seus próprios. São os adoradores do deus dinheiro.
A bandidagem política é fruto de um sistema econômico iníquo, que - diz o Papa Francisco - ninguém aguenta mais e precisamos muda-lo. “Toda árvore boa produz frutos bons e toda árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar frutos maus e uma árvore má não pode dar frutos bons” (Mt 7, 17-18).
Como amostras dessa bandidagem política - entre muitos que poderíamos lembrar - cito somente três fatos, amplamente divulgados na mídia e nas redes sociais.
Primeiro fato: Empresas privadas devem R$ 450 bilhões à Previdência. É um crime que clama por justiça diante de Deus. Essa dívida foi possível - e continua sendo possível - por causa da omissão e conivência de um Governo (Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário) covardemente submisso e totalmente conivente com os interesses da classe dominante. Por exercerem o papel de conivência criminosa com as empresas privadas, esses políticos e governantes são muito bem remunerados com dinheiro “legalmente” roubado (as leis estão a serviço dos poderosos) da classe trabalhadora.
O golpista Michel Temer (mais uma vez, nego-me a chama-lo de presidente) e seus asseclas - com a maior cara de pau - vêm a público trazendo dados falsos e dizendo que a Previdência, do jeito que está, é inviável. Querem enganar o povo e justificar a Contrarreforma da Previdência, que tem por finalidade acabar com os poucos direitos que os trabalhadores e trabalhadoras conquistaram a duras penas e com muita luta. Essa Contrarreforma, que o Governo pretende aprovar, é a decretação da “pena de morte” para os trabalhadores e trabalhadoras!
Segundo fato: A Portaria do trabalho escravo nº 1.129, do Ministério do Trabalho. É uma Portaria retrógrada e perversa, que - como afirma o Ministério Público - exclui da definição de trabalho escravo quase 90% dos processos. Que vergonha para o Brasil!
Terceiro fato: A negociação política para barrar a investigação de duas denúncias criminais contra o golpista Michel Temer. Essa negociação teve um custo de R$ 32,1 bilhões, que também foi pago a políticos inescrupulosos com dinheiro “legalmente” roubado dos trabalhadores e trabalhadoras.
Reparem: tudo isso só para impedir a investigação de duas denúncias criminais contra o golpista Michel Temer. Não se trata ainda de condenação ou absolvição, mas somente de investigação. Na realidade, essa maracutaia de Michel Temer é uma confissão de culpa. Se não fosse culpado, ele - Michel Temer - seria o primeiro interessado em defender a investigação para - como se costuma dizer - limpar o seu nome.
Ao invés disso, vemos o despudor do golpista quando, em pronunciamento no Palácio do Planalto - depois da votação da 2ª denúncia criminal - afirma que a rejeição do pedido de investigação pela Câmara dos Deputados é uma “conquista do Estado”. Vemos ainda sua mesquinhez quando, depois de tomar conhecimento do resultado da mesma votação, se vinga demitindo pessoas ligadas a políticos que foram a favor da investigação e que ele chama de “traidores”. Que hipocrisia! Que perversidade!
Será que Michel Temer e os políticos, seus cumplices na prática da corrupção, acreditam na justiça de Deus? Ela não se compra com dinheiro “legalmente” roubado do povo! Inclusive, Michel Temer não é mais tão novo e - pelas notícias divulgadas na mídia - parece que Deus enviou-lhe, justamente nesses dias, uma advertência! É muito bom que pense nisso enquanto há tempo! Deixo-lhe um aviso: os frutos da bandidagem política não cabem no caixão. Nele só cabem os frutos da bondade, da justiça, do amor e de todas as boas ações. Michel Temer e seus asseclas aguardem a justiça de Deus. Como diz o ditado, ela tarda, mas não falha! Um dia, se não mudarem de vida, ouvirão as palavras: “Afastem-se de mim, todos vocês que praticam injustiça” (Lc 13, 27).
Para mudar esse sistema econômico iníquo (ou dar passos que levem à mudança) e para combater a bandidagem política, seu fruto podre mais visível, só há um caminho: a união e organização (respeitando e valorizando as diferenças) dos trabalhadores e trabalhadoras nas Organizações de Classe (Sindicatos e Centrais Sindicais), nas Organizações Sociais (Movimentos Populares e Centrais de Movimentos Populares) e nas Organizações Políticas (Partidos ou Correntes de Partidos Populares e Frentes Partidárias Populares). Unidos e organizados construiremos o Projeto Popular, que é o oposto do Projeto Neoliberal!
Por fim, um questionamento dentro de casa: Seguindo Jesus de Nazaré, os e as que somos cristãos e cristãs não deveríamos ser Profetas e Profetisas da Vida? Os e as que somos religiosos e religiosas não deveríamos ser radicalmente Profetas e Profetisas da Vida? Por que há tanta omissão de nossas Igrejas e - muitas vezes - nossa também, diante da bandidagem política: uma iniquidade estrutural e sistêmica, que - à luz da Fé - é o Anti-Reino de Deus? Onde estão, hoje, os Profetas e Profetisas da Vida, que - doando sua própria vida - anunciam o Reino de Deus, denunciam - sem medo e com coragem - tudo o que é contrário a esse Reino e lutam para fazê-Lo acontecer na história do ser humano e do mundo? Meditemos!







Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 01 de novembro de 2017


sábado, 28 de outubro de 2017

Novo Pentecostes a partir da base


Como comuniquei no artigo anterior “A força principal das CEBs: a Fé em Jesus Cristo Libertador” (leia o artigo na Internet), de 20 a 22 deste mês de outubro, aconteceu na Paróquia Nossa Senhora da Terra (Jardim Curitiba III - Região Noroeste de Goiânia) o Encontro Mini-Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs do Regional Centro-Oeste (Goiás e Distrito Federal).
Participaram cerca de 170 pessoas (delegados e delegadas das Arquidioceses de Brasília e Goiânia; e das Dioceses de Uruaçu, Formosa, Luziânia, Ipameri, São Luís de Montes Belos, Itumbiara, Anápolis e Goiás as Dioceses de Rubiataba-Mozarlândia e Jataí não enviaram representantes), que irão a Londrina - PR para o 14º Encontro Intereclesial das CEBs (23-27/01/2018). Participaram também do Encontro 7 suplentes, 8 padres (diocesanos e religiosos), 1 religioso, diversas religiosas e as pessoas das equipes de serviço e animação. Tivemos a presença do bispo da Diocese de Goiás, Dom Eugênio Rixen. Nos momentos abertos a todos e a todas tivemos ainda a alegria da presença de irmãos e irmãs das Comunidades que fazem a Paróquia Nossa Senhora da Terra.
O Encontro - preparado com tanto amor e extraordinária dedicação - foi muito bom em todos os seus momentos: Celebração de abertura (com a memória do Jubileu de Diamante da Arquidiocese de Goiânia), Hospedagem nas famílias, Oração comum, Celebração do domingo, Estudo participativo (com a assessoria de Alexandre Rangel), Celebração do Envio e Encerramento.
A experiência de Fé, que vivenciamos e partilhamos no Encontro com a alegria de irmãos e irmãs, faz-nos acreditar que os Encontros locais, diocesanos e regionais de CEBs (rumo ao 14º Intereclesial) são hoje um novo Pentecostes a partir da base na Igreja do Brasil inteiro.
Como nos outros Encontros de CEBs, estudamos e aprofundamos o tema do 14° Intereclesial “CEBs e os desafios do mundo urbano” e o lema “Eu ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3, 7).
Hoje, infelizmente, nossas Igrejas (sobretudo os padres e bispos) - em sua maioria - mostram-se indiferentes, desinteressadas e, às vezes, até cínicas em relação às CEBs. Sei de Igrejas que - em sua estrutura física - tinham um espaço para as CEBs e o CEBI (Centro de Estudos Bíblicos). Há tempo foram excluídos, ou melhor, descartados e tiveram que procurar outro lugar. É lamentável, mas compreensível!
Os poderosos e seus aliados “eclesiásticos”, os que moram em palácios ou mansões civis ou episcopais, os sinédrios “católicos” atuais e os que se fecham em sua auto suficiência clerical (o clericalismo, que - como diz o Papa Francisco - é “uma peste na Igreja” e “o pior mal da Igreja na América Latina”) não têm as mínimas condições de entender e, menos ainda, de vivenciar o jeito de ser Igreja das CEBs: uma Igreja “pobre, para os pobres, com os pobres e dos pobres”, mas aberta a todos aqueles e aquelas que - mesmo sendo ricos e ricas - se convertem, mudam de vida, praticam a partilha e aceitam seguir Jesus de Nazaré (como aconteceu com Zaqueu, o homem rico do Evangelho, no encontro com Jesus).
Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelastes aos pequeninos” (Lc 10, 21).
Apesar de tanta indiferença, desinteresse e cinismo, as CEBs não morreram, como ironicamente muitos e muitas costumam dizer. Elas são muito vivas e cada vez mais fortes, sobretudo quando não são reconhecidas e quando - às vezes - são até perseguidas e obrigadas a viver nas catacumbas.
As CEBs são obra do Espírito Santo. “Descerá sobre vocês o Espírito Santo e Dele receberão força para serem minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os extremos da terra” (At 1, 8). As CEBs são “Igreja que nasce do Povo pelo Espírito de Deus” (1º Intereclesial. Vitória - ES: 06-08/01/1975).
As CEBs são Igreja de Jesus de Nazaré; são Comunidades que - apesar de suas limitações humanas - vivem no mundo de hoje a radicalidade do Evangelho; são “de base”, por serem encarnadas na vida do Povo.
Diz o Papa Francisco: “O Povo é sujeito. E a Igreja é o Povo de Deus a caminho na história, com alegrias e dores. Sentir com a Igreja é para mim, pois, estar neste Povo. E o conjunto dos fiéis é infalível no crer, e manifesta esta sua infalibilidade crendo (...)” (Pe. Antônio Spadaro, S.J., diretor da “Civiltà Cattolica”. Entrevista ao Papa Francisco, publicada simultaneamente em 26 Revistas sob a responsabilidade de Jesuítas, 19/08/2013). Que testemunho bonito de humildade! Sigamos o seu exemplo!
As CEBs - na diversidade dos carismas e ministérios - acentuam (como fazia o apóstolo Paulo) a condição comum a todos os cristãos e cristãs, renascidos e renascidas pela água e pelo Espírito: “santos e santas”, “eleitos e eleitas”, “discípulos e discípulas”, “irmãos e irmãs” (no Novo Testamento nunca aparece o termo “leigo ou leiga” e nem o termo “clero”).
"Deve-se - ensina o Concílio Vaticano II - reconhecer cada vez mais (reparem: cada vez mais) a igualdade fundamental entre todos e todas" (A Igreja no mundo de hoje - GS, 29). E ainda: “Reina entre todos e todas verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum a todos e todas os e as fiéis na edificação do Corpo de Cristo" (A Igreja - LG, 32).

Somos Igreja de Jesus de Nazaré! Somos Igreja que nasce do Povo pela força do Espírito de Deus! Somos CEBs! Com o salmista cantamos: “Eles e elas (que dizem que as CEBs morreram) se curvam e caem; nós nos mantemos de pé” (Sl 20, 9). Unidos e unidas na caminhada!









Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 25 de outubro de 2017



terça-feira, 24 de outubro de 2017

A principal força das CEBs: a Fé em Jesus Cristo Libertador


Segundo os Documentos de Medellín - a “Carta Magna” da Igreja na América Latina e Caribe - as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) são “o primeiro e fundamental núcleo eclesial” ou “a célula inicial da estrutura eclesial (XV, 10). A Paróquia é “um conjunto pastoral unificador das Comunidades de Base” (XV, 13).
As CEBs “são uma forma de vivência comunitária, de inserção na sociedade, de exercícios do profetismo e de compromisso com a transformação da realidade, sob a luz do Evangelho” (Doc. 105, nº 146).
Toda Comunidade, para ser cristã, deve ser “de base”, ou seja, inserida na vida do povo. Por isso, as CEBs, além de ser “um jeito novo e, ao mesmo tempo, antigo de ser Igreja”, são também - ao menos como Utopia - “o jeito de toda a Igreja ser”, na diversidade de seus carismas e ministérios.
"Como Cristo, por sua Encarnação ligou-se às condições sociais e culturais dos seres humanos com quem conviveu, assim também deve a Igreja inserir-se (encarnar-se) nas sociedades, para que a todas possa oferecer o mistério da salvação e a vida trazida por Deus” (Conc. Vatic. II. A atividade missionária da Igreja - AG 10).
Para desempenhar sua missão (ser ‘Igreja em saída’) a Igreja, a todo momento, tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre os significados da vida presente e futura e de suas relações mútuas. É necessário, por conseguinte, conhecer e entender o mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática" (Conc. Vat. II. A Igreja no mundo de hoje - GS 4).
"A fé esclarece todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral do ser humano. E por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas" (GS 11).
Depois do 13º Intereclesial das CEBs (os Intereclesiais são Encontros nacionais de CEBs), em Juazeiro do Norte (Diocese de Crato) - CE (7-11/01/2014), o Trenzinho das CEBs retomou a sua viagem rumo a Londrina - PR, onde chegará em janeiro próximo, para o 14º Intereclesial (23-27/01/2018).
O tema do Encontro é “CEBs e os desafios do mundo urbano” e o lema “Eu ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3, 7).
Deus escuta o clamor do povo que sofre opressões no mundo urbano e convoca as CEBs a participar - junto a todas as pessoas de boa vontade - de sua libertação. Esta é a intuição profunda que une o tema e o lema do 14º Intereclesial”. Os desafios são muitos e grandes “diante do que representam as forças sociais, políticas, econômicas e culturais que estão na raiz das opressões sofridas pelos pobres nas cidades”.
As CEBs aceitam os desafios “por acreditarem que Deus envia o Espírito que ilumina e fortalece quem, no seguimento de Jesus, luta pela Justiça e pela Paz”. A principal força das CEBs é a Fé em Jesus Cristo Libertador. “Elas sabem que a Fé só ganha eficácia na medida em que é a inspiração profunda para a ação transformadora do mundo”.
O 14º Intereclesial das CEBs “deverá ser um momento privilegiado de experiência do Espírito que ‘renova a face da Terra’, mas também um momento de reflexão e de troca de saberes que conduzam a ações capazes de atender o clamor do povo que sofre opressões”.
O Texto-Base do 14º Intereclesial é um valioso subsídio para “uma adequada preparação das Comunidades que se farão representar no Encontro” (Texto-Base, p. 5). O método usado é “ver-julgar-agir” (“analisar-interpretar-libertar”).
Na viagem rumo a Londrina, o Trenzinho das CEBs fez e ainda vai fazer diversas paradas em todo o Brasil para Encontros locais, diocesanos e regionais de CEBs, cujos objetivos são: partilhar, com os irmãos e irmãs, as experiências comunitárias de vida e missão das CEBs; aprofundar o tema do 14º Intereclesial; e preparar os representantes das Comunidades para o Encontro.
Neste ano, no Regional Centro-Oeste, tivemos, além de diversos Encontros locais e diocesanos, o Oestão das CEBs na Diocese de Uruaçu (21-24/04/2017), que reuniu cerca de 120 pessoas dos Regionais Oeste I (Mato Grosso do Sul), Oeste II (Mato Grosso) e Centro-Oeste (Goiás e Distrito Federal) da CNBB.
Teremos também, neste fim de semana (20-22/10/17), o Mini-Intereclesial das CEBs (os Mini-Intereclesiais são Encontros Regionais de CEBs), na Região Noroeste de Goiânia, Paróquia Nossa Senhora da Terra, da qual tenho a alegria de ser um dos Animadores. A Paróquia é uma rede de cinco Comunidades: Nossa Senhora da Terra (que deu o nome à Paróquia e se tornou uma referência), Jesus de Nazaré, Nossa Senhora da Vitória, Maria Mãe Santíssima e Nossa Senhora da Paz.
Algumas informações sobre o Mini-Intereclesial das CEBs do Regional Centro-Oeste:
  • Dia 20 (sexta-feira) à noite: Acolhida dos participantes do Encontro na Igreja Nossa Senhora da Terra (Jardim Curitiba III), com Missa de abertura às 19:30h (1º momento aberto à participação de todos e todas).
  • Dia 21 (sábado) e dia 22 (domingo): Atividades na Escola Municipal Maria da Terra (Bairro Floresta).
  • Sábado às 19h, após breve Vigília de Oração: Noite Cultural (2º momento aberto à participação de todos e todas).
  • No domingo (sempre na Escola), às 8h: Missa (3º momento aberto à participação de todos e todas).
  • No domingo às 16h: Encerramento e Envio.
Termino com a bonita “Oração do 14º Intereclesial das CEBs”:
Ó Deus, Pai misericordioso que amas a todos com coração de Mãe, ilumina nosso caminho para o 14º Intereclesial de CEBs, para que nos sintamos corresponsáveis pela criação com tantos irmãos e irmãs que procuram uma espiritualidade de comunhão, verdadeiramente eclesial, no seguimento de Jesus, na opção pelos pobres, pelo ecumenismo e pela ecologia, especialmente, no mundo urbano com os desafios específicos das políticas públicas e de bem comum. Senhor envia o teu Espírito sobre nós. Que saibamos responder nesta hora da graça aos apelos do teu povo e façamos do Intereclesial um Pentecostes desde a base, sempre animados pela multidão de testemunhas do Reino. Nossa Senhora Aparecida, interceda por todos nós e por uma Terra sem males, sinal do Reino.
Amém, Awere, Axé, Aleluia” (Pedro Casaldáliga).




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 18 de outubro de 2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Igualdade de Gênero Livro-Agenda Latino-americana mundial 2018

A página de abertura do “Livro-Agenda latino-americana mundial” lembra-nos sempre: é “o livro latino-americano mais difundido, cada ano, dentro e fora do Continente”. Ele é “sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as Comunidades que vibram e se comprometem com as Grandes Causas da Pátria Grande, como resposta aos desafios da Pátria Maior”.
Ele é ainda “um anuário de esperança dos pobres do mundo a partir da perspectiva latino-americana; um manual companheiro para ir criando a ‘outra mundialidade’; uma síntese da memória histórica da militância e do martírio de Nossa América; uma antologia de solidariedade e criatividade; uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social e a pastoral popular”.
O “Livro-Agenda latino-americana mundial”, “além de ser para uso pessoal, foi pensado como instrumento pedagógico para comunicadores, educadores populares, agentes de pastoral, animadores de grupos e militantes” (p. 9).
O tema do “Livro-Agenda latino-americana mundial 2018” é: igualdade de gênero. É um tema que - pela sua premente atualidade - “está nas ruas, em todo o Continente latino-americano (e - podemos dizer - no mundo inteiro), na sociedade civil, na opinião pública e nas Igrejas”. Não é “um assunto de mulheres” (como se pensou por milênios), mas é “um assunto de justiça estrutural e sistêmica, que afeta os Direitos Humanos das mulheres e de muitas pessoas discriminadas por sua condição de gênero ou sexual”.
Abordar o tema é “uma revolução radical e global. É uma revolução pendente e urgente, que queremos ajudar a levar em frente, com tantas mulheres e homens que já levam anos e decênios na luta por esta Utopia”.
Segundo o método “ver-julgar-agir” (“analisar-interpretar-libertar”) - já tão conhecido e praticado na América Latina - “partimos da realidade, esta vez com um ver/recordar, que incorpora a luta histórica das mulheres”.
No julgar/sonhar “tomamos as águas desde muito acima, desde as implicações inclusive filosóficas; recolhemos a história da teologia feminista, a ‘ideologia de gênero’, o debate sobre o sexo forte, as masculinidades, a influência das crenças religiosas, o patriarcado... e categorizamos os direitos das mulheres como Direitos Humanos”.
No agir, “abordamos as Políticas Públicas com enfoque de gênero, a democracia paritária, a necessária incorporação dos homens às tarefas do cuidado, a visão da mulher indígena e da mulher negra, a prática de teologia feminista na história, a criação de observatórios de gênero... e, também este ano, alguns livros digitais disponíveis recomendados, para aprofundar o tema nos níveis indicados, nos grupos, nas Comunidades e no estudo pessoal” (p. 8-9).
As Igrejas “não podem se esquivar à realidade, nem na sociedade e nem em seu próprio interior. Jesus mostrou-se a favor da inclusão de todas as pessoas, e sua Utopia de Justiça, que Ele chamava de Reino, é, para muitos, símbolo da inclusão maior. Há uma hierarquia de verdades e valores, e a Justiça tem precedência sobre qualquer outra consideração filosófica, teológica ou simplesmente tradicional. Enquanto houver pessoas discriminadas por sua condição sexual, a teologia ‘feminista’ da libertação terá sentido. Com o Evangelho na mão, atrevemos a dizer que toda a teologia que justifique a inferiorização da mulher, ou qualquer outra injustiça de gênero, atua como ‘ideologia de gênero’” (p. 11).
Destacamos - como sendo um grande valor - o caráter ecumênico (“ecumenismo de soma” e não “de subtração”) e macroecumênico do “Livro-Agenda latino-americana mundial 2018”.
Por fim, agradecemos “a colaboração ‘sororal’ (é o feminino de ‘fraternal’, não?) de tantas mulheres, feministas militantes, lutadoras convictas, de todo o Continente, que nos ajudaram, não apenas com sua contribuição escrita, mas com sua orientação, seu conselho, e inclusive sua correção... mais que fraterna: sororal”.
É um novo momento histórico! Estejamos à altura! Leiamos todos e todas o “Livro-Agenda latino-americana mundial”! Vale muito a pena”! 


A Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil é a responsável pela edição brasileira do “Livro-Agenda latino-americana mundial”.
Locais para se adquirir o “Livro-Agenda latino-americana mundial 2018” em Goiânia:
  • Secretaria da Paróquia São Judas Tadeu, à Rua 242, nº 100, Setor Coimbra, fone: 62 - 3233.6365.
  • Sala do CEBI, à Rua 83, nº 361, Setor Sul, fone 62 - 3225.8095.
  • Sede da CRB - Goiânia, à Av. Anhanguera, nº 5.110, Edifício Moacir Teles, sala 609, Centro, fone 62 - 3224.6076. 





Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 11 de outubro de 2017 

A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos