quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O significado do Encontro Mundial de Movimentos Populares

Neste artigo - o primeiro de uma série - farei algumas considerações e reflexões sobre o significado do Encontro Mundial de Movimentos Populares (EMMP), que foi promovido - a pedido do Papa Francisco - pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais e que aconteceu em Roma, entre os dias 27 e 29 de outubro passado. Em outros artigos (não necessariamente na sequência cronológica), destacarei os pontos mais marcantes do Discurso do Papa aos participantes do Encontro e da Carta Final do Encontro, que são luzes para a nossa militância nas Pastorais Sociais e nos Movimentos Populares.
Qual é, pois, o significado desse Encontro? Com certeza, ele representa uma verdadeira revolução na Igreja, uma “revolução evangélica” radical, uma clara volta às fontes, ou seja, uma volta ao seguimento de Jesus de Nazaré, que - ainda no seio de sua mãe Maria - foi “morador de rua” e que nasceu na manjedoura de Belém como “sem-teto”. “Não havia lugar para eles dentro de casa” (Lc 2,7).
            Na história da Igreja, já houve Papas que promoveram Encontros com cientistas, com acadêmicos, com industriais ou empresários ditos “católicos” e outras categorias de pessoas, mas nunca um Papa que tenha promovido um Encontro Mundial de Movimentos Populares (não de Movimentos Eclesiais). É de ficar boquiaberto!
Acolhendo os participantes do Encontro, o Papa Francisco, com toda fraternura, diz: “eu estou contente por estar no meio de vocês. Aliás, vou lhes fazer uma confidência: é a primeira vez que eu desço aqui (na Aula Velha do Sínodo), nunca tinha vindo. Como lhes dizia, tenho muita alegria e lhes dou calorosas boas-vindas. Obrigado, por terem aceitado este convite para debater tantos graves problemas sociais que afligem o mundo hoje, vocês que sofrem em carne própria a desigualdade e a exclusão”.
De maneira clara, Francisco afirma: “este Encontro de Movimentos Populares é um sinal, é um grande sinal: vocês vieram colocar na presença de Deus, da Igreja, dos Povos, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela!”.
Para quem é Igreja e ama a Igreja, doe muito saber que existem dioceses ou arquidioceses que não deram a mínima para esse Encontro e que não publicaram, em seus meios de comunicação, uma palavra sequer sobre o acontecimento. Nestes dias, conversando com um padre, percebi claramente que nem sabia que o Encontro tinha acontecido. Não dá para entender! Essa não é a Igreja que Jesus quer! Essa não é a minha Igreja!
O Papa Francisco - como Jesus de Nazaré - tomou, com coragem profética e sem nenhuma ambiguidade, o partido dos pobres, que lutam pela justiça, pelos direitos humanos e pelos direitos da irmã mãe Terra. Ele fez a Opção pelos Pobres, para - a partir deles e junto com eles - anunciar a todos e a todas a Boa-Notícia de um mundo novo, que à luz da fé é o Reino de Deus. Tornou-se próximo e solidário com todos os excluídos e excluídas e com todos os descartados e descartadas da sociedade.
Ah, se nós, que somos a Igreja (comunidades, paróquias, dioceses) entendêssemos o recado que, com tanta fraternura, nos vem do nosso irmão Francisco! Como seríamos diferentes! Teríamos outras preocupações! No lugar de nos preocupar somente com a estrutura interna da Igreja, com uma Igreja de grandes eventos, com uma Igreja de templos suntuosos, com uma Igreja triunfalista e clerical, com uma Igreja que quer se impor pelo poder e pela ostentação, seríamos uma Igreja simples, despojada, inserida no meio dos pobres - formando Comunidades de Base - e aliada aos Movimentos Populares e a todos aqueles e aquelas - entidades e pessoas - que lutam pela justiça e pelos direitos humanos e ambientais (direitos da irmã mãe Terra)
O nosso irmão Francisco nos ensina que - em nossas comunidades, paróquias e dioceses - só podemos fazer pastoral social e promover as diversas pastorais sociais, necessárias para responder cristãmente aos desafios do mundo de hoje (os apelos de Deus para nós) na proximidade e solidariedade, ou seja, na entranhada aliança com os Movimentos Populares, respeitando e valorizando sua identidade e suas diferentes manifestações culturais e religiosas.

Precisamos mergulhar, sem medo e com muito amor, no mundo dos pobres, dos excluídos e excluídas, dos descartados e descartadas da sociedade, que são nossos irmãos e irmãs, para - sempre a partir deles e junto com eles - abrirmos caminhos novos, que levem a mudanças estruturais e a uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais de acordo com o projeto de Jesus de Nazaré, que é o Reino de Deus no mundo.


Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP),
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br
                                                                                       Goiânia, 26 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Direitos Humanos: chama viva que ilumina

[Livro: Agenda Latino-americana Mundial 2015]

            “É nossa hora e este Livro-Agenda nos lembra disso:
hora de mudar o mundo, hora revolucionária de exigir
e cumprir todos os Direitos Humanos para todos!”
(Pedro Casaldáliga e José Maria Vigil)

O Livro “Agenda Latino-americana Mundial” é “o livro latino-americano mais difundido, cada ano, dentro e fora do Continente”. Ele é “sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as comunidades que vibram e se comprometem com as Grandes Causas da Pátria Grande, como resposta aos desafios da Pátria Maior”.
Ele é ainda “um anuário de esperança dos pobres do mundo a partir da perspectiva latino-americana; um manual companheiro para ir criando a ‘outra mundialidade’; uma síntese da memória histórica da militância e do martírio de Nossa América; uma antologia de solidariedade e criatividade; uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social e a pastoral popular” (1ª página).
            O Livro “Agenda Latino-americana Mundial” foi pensado não só para uso pessoal, mas também e sobretudo para ser “um instrumento pedagógico para comunicadores, educadores populares, agentes de pastoral, animadores de grupos e militantes”.
            Os textos são breves e “apresentados sob a concepção pedagógica de ‘página-cartaz’, pensada e diagramada de forma que, diretamente fotocopiada, possa ser entregue como ‘material de trabalho’ na escola, na reunião de grupo, na alfabetização de adultos ou exposta no mural. E também para os textos serem transcritos no boletim da associação de bairro ou na revista local”.
            A obra é “macroecumênica”: “enquadra-se nesse mundo de referências, crenças, valores e utopias comuns aos povos e aos homens e mulheres de boa vontade, que nós cristãos chamamos de ‘Reino’, a Utopia de Jesus”. Ela é “obra coletiva, patrimônio latino-americano, anuário antológico da memória e da esperança do Continente” (página 9).
            O Livro “Agenda Latino-americana Mundial 2015” aborda o tema “Direitos Humanos”, que é muito atual e desafiante às Igrejas, às Instituições e à sociedade como um todo. Seguindo o método “ver-julgar-agir”, o tema - nos seus múltiplos aspectos - é aprofundado em vários textos, por diferentes autores e desde diferentes enfoques.
Os Direitos Humanos são, pois, “um sonho, uma causa, uma utopia e uma consciência, que crescem e que é preciso ajudar a crescer cada vez mais” (José Maria Vigil, página 8).  
            As “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil” (2011-2015) ensinam que “a Igreja, como mãe, deve ser a primeira a se interessar pela defesa dos Direitos Humanos” (112).
            No intuito de viver a comunhão com a Igreja e sendo também Igreja, a Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil - que tem sede em Goiânia e presença em 19 Estados do Brasil - há anos, assume a missão de ser responsável pela edição brasileira do Livro “Agenda Latino-americana Mundial”.
            Em Goiânia, o lançamento do Livro “Agenda Latino-americana Mundial 2015” acontecerá no próximo dia 20, às 19:30 horas, no Centro Cultural Cara Vídeo (Rua 83, Nº 361 - Setor Sul).
Na mesma ocasião, acontecerá também o lançamento dos Livros “Advertências e Esperanças: Justiça, Paz e Direitos Humanos” e “Dom Tomás é Terra e Dignidade”.
O Livro “Advertências e Esperanças: Justiça, Paz e Direitos Humanos” reúne “a contribuição de religiosas, religiosos, leigas e leigos da Família Dominicana que se unem em mutirão teológico-pastoral para recordar os 25 anos de vida e ação da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, estimulando a avançar, cada vez mais, na aventura de construirmos um mundo novo de Justiça, Paz e comunhão amorosa com o universo”.
O Livro “Dom Tomás é Terra e Dignidade”, reúne - entre as várias centenas de mensagens que chegaram por ocasião do falecimento de Dom Tomás - “aquelas que romperam as barreiras dos protocolos e da formalidade; aquelas que deixaram o coração se manifestar para falar do homem, amigo, pastor, irmão que se foi; aquelas que desvendam as pegadas por onde Dom Tomás andou”.
As mensagens foram organizadas em cinco blocos: mensagens das Igrejas e suas instituições; mensagens de entidades e movimentos sociais populares; mensagens do mundo da política; mensagens do exterior; mensagens diversas.
“Trata-se de um registro para preservar a memória de quem, incansavelmente, lutou por uma Igreja, seguidora dos passos de Jesus, por uma sociedade de inclusão, onde todos e todas tenham vida”.
Divulgue os três Livros em seus contatos! Eles são um valioso subsídio na nossa missão em defesa e promoção dos Direitos Humanos e da Justiça e Paz. Participe do lançamento dos Livros! Sua presença é importante e faz a diferença!


Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP),
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br
                                                                                       Goiânia, 18 de novembro de 2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Presidenta Dilma, não recue!

Presidenta Dilma não recue! Não traia os Trabalhadores e as Trabalhadoras! Respeite a vontade do Povo, manifestada - por quase 8 milhões de pessoas - no Plebiscito Popular! Honre o voto dos pobres! Ouça o grito das ruas! Faça aliança com os Movimentos Populares! Experimente a força desses Movimentos! Povo unido, organizado e mobilizado jamais será vencido! Seja mulher forte e corajosa! Não tenha medo de arriscar!  
Renovando o pedido que lhe fiz no escrito anterior, convoque, no início de seu segundo mandato, um grande Encontro de Movimentos Populares e - estando à frente dela - lance uma Campanha de Mobilização Nacional, que sacuda o Brasil. Vamos ocupar as ruas e praças do país! Vamos ocupar o Congresso e exigir (não pedir) a imediata convocação do Plebiscito por uma Assembleia Constituinte Soberana e Exclusiva do Sistema Político. Não dá mais para esperar! Com o Congresso que temos, se não houver uma pressão muito forte do Povo, nada irá acontecer em benefício dos pobres.
Depois de aprovada pelo Plebiscito, vamos eleger, com urgência, uma Assembleia Constituinte, única e exclusivamente para, de modo soberano, fazer uma Reforma Política, que seja uma verdadeira mudança estrutural do Sistema Político.
Presidenta Dilma, desistir do Plebiscito e apoiar o Referendo, para aprovar ou não as “reformas” realizadas no Congresso, é mais um jeito de tapear o Povo. Chega de enganação! Não podemos aceitar essa maracutaia!
            Senhora Presidenta, não fique em cima do muro! Não se preocupe em agradar o deus-mercado! Mostre de que lado está! Lembre as palavras do Evangelho: "ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24). E servir a Deus, Presidenta Dilma, é servir ao Povo.
            No Encontro Mundial de Movimentos Populares (de 27 a 29 de outubro último), o papa Francisco, em seu vibrante discurso, de maneira clara e inequívoca (sem meias palavras), posicionou-se a favor dos pobres e solidarizou-se com sua luta.
            “Este Encontro - diz o nosso irmão Francisco - é um sinal, é um grande sinal”. Os pobres “não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela”. Eles não esperam planos assistenciais, “que vão em uma direção ou de anestesiar ou de domesticar”, mas “querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer”.
            A solidariedade - diz ainda o papa - é “muito mais do que alguns atos de generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade de vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Também é lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de moradia, a negação dos direitos sociais e trabalhistas, É enfrentar os destrutivos efeitos do Império do dinheiro: os deslocamentos forçados, as migrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas essas realidades que muitos de vocês sofrem e que todos somos chamados a transformar”. Em seu sentido mais profundo, a solidariedade “é um modo de fazer história, e é isso que os Movimentos Populares fazem”.
            Francisco, num caloroso apelo, declara: “queremos que se ouça a sua voz (dos Movimentos Populares), que, em geral, se escuta pouco. Talvez porque incomoda, talvez porque o seu grito incomoda, talvez porque se tem medo da mudança que vocês reivindicam”.
            Presidenta Dilma, não tenha medo da mudança, não desista da mudança! Ouça a voz dos Movimentos Populares e junte-se a eles, para abrir caminhos novos e fazer acontecer, no Brasil, o Projeto Popular!

            Infelizmente, o cerco do Congresso à Presidenta Dilma já foi montado, para que não aconteça o Plebiscito! Derrubemos esse cerco! O Povo é soberano!
Plebiscito por uma Constituinte Soberana e Exclusiva do Sistema Político, já!  Reforma Política, já!

Leia também na internet os artigos:
“Um conselho à presidenta Dilma” e 
“Plebiscito: primeiro desafio da presidenta Dilma” 

Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP),
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br
                                                                                       Goiânia, 12 de novembro de 2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Plebiscito: primeiro desafio da presidenta Dilma

Presidenta Dilma, com o Congresso (Câmara e Senado) que temos, nenhuma mudança política estrutural irá acontecer. É mais do que evidente. A grande maioria dos deputados federais e senadores - com algumas louváveis exceções - foram eleitos por causa do seu poder econômico, enganando ou comprando os eleitores. Com eles e elas, o máximo que poderá acontecer no Congresso será: pequenas reformas ou retoques, que servem de maquiagem para manter e fortalecer o sistema político e econômico dominante.
Como exemplo, basta lembrar a derrubada (dois dias após as eleições) na Câmara Federal, presidida por Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) - com o apoio do PMDB, principal aliado do Planalto - do decreto presidencial que institui os Conselhos Populares e outras formas de participação popular (Política Nacional de Participação Social - PNPS). Com ironia, cinismo e desrespeito, o deputado federal Mendonça Filho (PE), líder do DEM e autor do projeto que cancela os Conselhos Populares, afirma: é preciso reverter “esse decreto bolivariano”. Por sua vez, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, diz que o decreto será derrubado também pelos senadores. Que vergonha nacional! Dá nojo!
Está claro que estes deputados federais e senadores querem servir-se do povo e não servir ao povo. Se fossem realmente representantes do povo (e não aproveitadores), deveriam ficar contentes e apoiar com entusiasmo a criação de novas formas de participação do povo - como os Conselhos Populares - na implementação de políticas públicas. Seria uma maneira de consolidar a participação popular como método de governo, multiplicando os espaços do exercício da democracia direta ou participativa e não somente da democracia indireta ou representativa.
Inclusive - como afirma José Fortunati (PDT), prefeito de Porto Alegre - “a decisão dos parlamentares fere a Constituição. A Carta assegura a participação direta dos cidadãos na política e não deixa dúvidas quanto à inexistência de concorrência de atribuições entre a participação popular e o indelegável papel dos Legislativos” (Câmara na contramão das ruas. Folha de S. Paulo, 03/11/14, p. A3).
Infelizmente, a nossa democracia (que é, quase sempre, indireta ou representativa), na prática não é democracia (governo do povo), mas aristocracia (governo de uma elite - que usa o povo para seus interesses).
Pretender que - nesse Congresso (Câmara e Senado) e, pior ainda, no Congresso da próxima legislatura - a maioria dos deputados federais e senadores aprove os Conselhos Populares é como pretender que - no galinheiro - a raposa aprove os conselhos das galinhas.
            Presidenta Dilma, a senhora está diante de um grande dilema: governar com o povo, para conseguir mudanças estruturais, ou governar com os detentores do poder econômico, para manter e fortalecer o sistema vigente, que é um “sistema econômico iniquo” (Documento de Aparecida, 385) ou, em outras palavras, uma “economia da exclusão e da desigualdade social”, que é uma “economia que mata” (Papa Francisco. O Evangelho da Alegria, 53). Não há outra saída!
Com os detentores do poder econômico poderá até haver - por necessidade estratégica - acordos pontuais sobre alguns posicionamentos políticos, mas nunca aliança (comunhão de projetos). Trata-se de dois projetos políticos e econômicos totalmente diferentes e opostos. Não se iluda, presidenta Dilma!
O seu primeiro e grande desafio, no segundo mandato, é realizar o Plebiscito para uma Constituinte Soberana e Exclusiva (insisto: Exclusiva) para a Reforma (mudança estrutural) do Sistema Político. A senhora só irá conseguir isso com o apoio do povo unido, organizado e mobilizado.
Presidenta Dilma, siga o exemplo do papa Francisco e - logo no início do seu segundo mandato - convoque um grande Encontro de Movimentos Populares do Brasil todo, lance uma aguerrida Campanha de Mobilização Nacional e esteja à frente dela. Vamos ocupar as ruas do país! Vamos ocupar e pressionar o Congresso, lembrando aos deputados federais e senadores que todo poder é do povo e emana do povo! Presidenta Dilma, venha conosco! Venha no meio do povo! O povo é soberano!
            O Plebiscito Popular (que, pela Constituição atual, não é oficial, mas que, com a Reforma Política, poderá sê-lo) - planejado por cerca de 400 Entidades e realizado de 1 a 7 de setembro passado, com quase 8 milhões de assinaturas - é uma prova concreta da força do povo.
            No Encontro Mundial de Movimentos Populares (27-29 de outubro), o papa Francisco, em seu vibrante discurso afirma: “alguns de vocês expressaram: esse sistema não se aguenta mais, Temos que mudá-lo, temos que voltar a levar a dignidade humana para o centro e que, sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos”.  
Diz ainda o papa: “os Movimentos Populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por inúmeros fatores. É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação protagônica das grandes maiorias, e esse protagonismo excede os procedimentos lógicos da democracia formal”. Ah, se os nossos deputados federais e senadores tomassem consciência disso!
            Sem nenhuma pretensão proselitista e numa atitude ecumênica de profundo respeito às diferentes culturas e religiões como um grande valor humano, o papa - com muita fraternura - faz um veemente apelo aos membros dos Movimentos Populares: “queridos irmãos e irmãs, sigam com sua luta, fazem bem a todos nós. É como uma benção de humanidade”.
Referindo-se aos textos evangélicos das Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12 e Lc 6,20-26) e do Juízo Final (Mt 25,31-46) e recomendando vivamente sua leitura, Francisco afirma: “os cristãos têm algo muito lindo, um guia de ação, um programa, poderíamos dizer, revolucionário”.

            Presidenta Dilma, sejamos, pois, verdadeiros revolucionários e revolucionárias! O Brasil e o mundo de hoje exigem isso de nós!

Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP),
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br
                                                                                       Goiânia, 05 de novembro de 2014
A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos