sábado, 25 de junho de 2016

Naufrágios de migrantes: pecado do mundo


Cordeiro de Deus, que tirais o ‘pecado do mundo’, tende piedade de nós!”


Os naufrágios de migrantes são hoje uma das faces mais cruéis do “pecado do mundo”: pecado social, pecado estrutural.
Na última semana de maio, aconteceram três naufrágios de migrantes, que faziam a rota entre a Líbia e a Itália, com pelo menos 1000 mortes.
Segundo estimativa feita pela Organização Internacional para a Migração (OIM), o número de mortes este ano na travessia do Mediterrâneo cresceu 34% em comparação com os cinco primeiros meses de 2015. A entidade - com base nos relatos dos sobreviventes - estima que até o dia 29 de maio, 2.443 pessoas morreram ou desapareceram nas diferentes rotas no Mediterrâneo..
Sempre segundo cálculos da OIM, os mortos entre 1º de janeiro e 31 de maio do ano passado, foram 1.828. Em 2015 como um todo o número de pessoas estimadas mortas no local foi 3.770.
Federico Soda, da OIM em Roma, diz: “Essa é uma emergência humanitária no deserto e no mar, onde milhares estão morrendo (...). Sem o notável trabalho de equipe de resgate, o número de mortes seria maior”.
Stefanos, um jovem eritreu, que sobreviveu a um dos naufrágios da última semana de maio, relata: “A água estava entrando no barco, mas tínhamos uma bomba para tirá-la. Quando acabou o combustível da bomba, pedimos mais ao capitão do barco à nossa frente (e que rebocava o segundo), mas ele disse ‘não’. Neste momento, não tínhamos mais nada o que fazer. Havia cerca de 35 mulheres e 40 crianças perto de mim: todas morreram” (Folha de S. Paulo, 1º de junho de 2016, p. A9).
Defensores dos direitos dos imigrantes reivindicam a abolição de uma lei que criminaliza a imigração ilegal. "Emigrar não é um crime”. Zeid Ra'ad Al Husein, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, criticou duramente as políticas migratórias "cínicas" adotadas pela União Europeia (UE). “A Europa dá as costas aos emigrantes mais vulneráveis do mundo e corre o risco de transformar o Mediterrâneo em um vasto cemitério".
Zeid exortou os governos dos países da UE a adotarem "um enfoque mais corajoso e menos cínico", acusando-os de ceder aos movimentos xenófobos em ascensão no bloco. Ele criticou também a falta de vias legais implantadas para os emigrantes e demandantes de asilo. "Estou horrorizado, mas não surpreso com a tragédia". "Estes mortos e as centenas que os precederam nos últimos meses eram previsíveis". Destacou que as mortes eram o resultado do fracasso da governança e de uma "imensa falta de compaixão". Elhadj As Sy, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha, criticou a posição da UE e lançou um apelo para "por um fim à indiferença que transforma o Mediterrâneo em um grande cemitério". (http://www.opovo.com.br/app/opovo/mundo/2015/04/21/noticiasjornalmundo,3425954/alto-comissario-da-onu-diz-que-mediterraneo-pode-virar-vasto-cemiterio.shtml).
Quanta crueldade! Quanta desumanidade!
Com frequência, os migrantes fazem a travessia em embarcações pouco resistentes, superlotadas, sem coletes salva-vidas e com combustível insuficiente. Tommaso Fabri, da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) da Itália, afirma: “Passou da hora de a Europa ter coragem de oferecer uma alternativa segura que permita que essas pessoas venham sem colocar vidas em risco” (Folha de S. Paulo, 30 de maio de 2016, p. A8).
O Papa Francisco, em julho de 2013, escolheu Lampedusa (ilha italiana do Mediterrâneo, entre a Sicília e a costa da Tunísia e da Líbia), uma das principais portas de entrada para a União Europeia, para a sua primeira viagem fora de Roma. Essa escolha é altamente simbólica para um Papa que colocou os pobres e os excluídos no centro do seu pontificado.
Com sua visita, o Papa Francisco quis sensibilizar a ilha de 6000 habitantes e o país para a necessidade de acolher essas pessoas e garantir os seus direitos. Ao mesmo tempo que elogiou Lampedusa como "exemplo para todo o mundo", pediu: “tende a coragem de acolher aqueles que procuram uma vida melhor”.
Apelou a um "despertar das consciências" para combater a "globalização da indiferença" em relação aos imigrantes e lamentou: "perdemos o sentido da responsabilidade fraterna e esquecemo-nos de como chorar os mortos no mar”. “Ninguém chora estes mortos". Criticou “os traficantes" que "exploram a pobreza dos outros" e desabafou: “o resto da Itália e a Europa têm de ajudar-nos!”. Enfim, lançou um apelo à Igreja para que cumpra, com dedicação e amor, sua missão de servir os imigrantes.
Em 3 de outubro de 2013, o papa Francisco chamou de "vergonha" o naufrágio que matou pelo menos 92 imigrantes procedentes da África e pediu a todos os fiéis que rezem por eles e por todos os refugiados do mundo. "Tenho que mencionar as numerosas vítimas deste enésimo naufrágio. A palavra que me vem à mente é vergonha. É uma vergonha".
No início de julho de 2014, o Papa escreveu uma mensagem à Arquidiocese de Agrigento para fazer a memória do primeiro aniversário da sua visita à Lampedusa - que foi lida na Praça Garibaldi da ilha durante as cerimônias que evocaram a visita de Francisco - lamentando, mais uma vez, a “lógica da indiferença” perante os naufrágios que continuam a acontecer no Mediterrâneo.
Um ano depois, o problema da imigração está se agravando e outras tragédias seguiram-se, infelizmente, a um ritmo acelerado. O nosso coração tem dificuldades em aceitar a morte desses nossos irmãos e irmãs, que enfrentam viagens extenuantes para fugir dos dramas, da pobreza, das guerras, dos conflitos, muitas vezes ligados às políticas internacionais”.
Em sua mensagem, Francisco diz ainda regressar “espiritualmente” ao Mediterrâneo para “chorar com quantos estão na dor” e para “lançar as flores da oração de sufrágio pelas mulheres, os homens e as crianças que são vítimas de um drama que parece não ter fim”. “Tudo isso deve ser enfrentado não com a lógica da indiferença, mas com a lógica da hospitalidade e da partilha, a fim de tutelar e promover a dignidade e a centralidade de cada ser humano”.
Na Sexta-feira Santa de 2016, Francisco - numa bonita Oração - dedicou parte de sua mensagem aos naufrágios dos migrantes: “Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje no nosso Mediterrâneo e no Mar Egeu feitos um cemitério insaciável, imagem da nossa consciência insensível e narcotizada”.
Meditemos as palavras, cheias de ternura e amor, do Papa Francisco! Não podemos ser insensíveis e indiferentes diante dessa tragédia humana! É um crime, que clama a Deus por justiça!
Todos e todas podemos fazer algo. “Vitória, tu reinarás! Ó Cruz, tu nos salvarás!
 






                                                                                                                                                          Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
                                                                                                                  Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
                                                                                                                                                      Professor aposentado de Filosofia da UFG
                                                                                                                                                                      E-mail: mpsassatelli@uol.com.br
                                                                                                                                                                           Goiânia, 15 de junho de 2016
 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Valdir e Luiz Batista: presos políticos em Goiás


 
            No dia 14 de abril do corrente ano, um colegiado de três juízes do Governo ditatorial do Estado de Goiás (entre os quais o juiz da Comarca de Santa Helena de Goiás) expediu mandado de prisão contra os agricultores Luiz Batista Borges, Diessyka Santana e Natalino de Jesus, integrantes do acampamento Pe. Josimo e o geógrafo José Valdir Misnerovicz, conhecido nacional e internacionalmente como militante e defensor da Reforma Agrária.  
Luiz foi preso - no mesmo dia 14 de abril - ao atender convite para prestar esclarecimentos na Delegacia local e, diante disso, os outros três buscaram proteger-se contra a determinação judicial.
Na tarde do dia 31 de maio foi preso também - em Veranópolis, no Rio Grande do Sul - Valdir Misnerovicz, coordenador do MST em Goiás e um dos coordenadores nacionais.
Valdir, que tem formação acadêmica em nível de pós-graduação (mestrado), estava ministrando aula para jovens estudantes de cooperativismo agrícola, quando foi surpreendido por uma Operação - essa sim criminosa - articulada entre a Polícia Civil de Goiás e do Rio Grande do Sul.
“O absurdo que salta aos olhos neste processo é que o MST, pela primeira vez, foi enquadrado na Lei nº 12.850/2013, que tipifica as Organizações Criminosas. A decisão judicial, ao que tudo indica, foi articulada com o Governo Estadual. Dois dias antes, em 12 de abril, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás, havia baixado a portaria nº 446, que impunha às Polícias Civil e Militar estado de ‘prontidão’, por dois meses, para suposta ‘proteção da ordem pública e da paz social’, para acompanhar ‘possíveis delitos em conflitos urbanos e rurais’. A Secretaria de Segurança antevia violentas manifestações no caso da prisão de dirigentes do Movimento” (MST e mais 13 Entidades. Nota pública: Lutar pela terra, um exercício de cidadania. Goiânia, 2 de junho de 2016).
Acusar os Movimentos Populares de serem Organizações Criminosas e suas lideranças membros ou chefes dessas Organizações é uma iniquidade diabólica, que clama por justiça diante de Deus. É essa iniquidade que inúmeras Notas ou Moções de solidariedade do Brasil e do mundo inteiro denunciam.
Infelizmente, porém (digo isso com muita dor no coração) temos também pessoas mesmo da Igreja que - por estarem com o rabo preso e com medo de se comprometer publicamente, reconhecem a “honestidade pessoal” (o que é louvável) de trabalhadores presos, mas não denunciam a injustiça institucionalizada que está por trás dessas prisões. Fazer isso é ser omissos, covardes e - no caso de cristãos - traidores do Evangelho.
            Como homem de Fé, Frade Dominicano e Padre, faço agora uma denúncia-advertência aos responsáveis - diretos ou indiretos - por essa situação criminosa: do Governo ditatorial do Estado de Goiás e do Governo Federal do “golpista interino” Michel Temer (seja do Executivo, seja do Judiciário, seja do Legislativo).
      Lembrem: as maldições que Deus proferiu contra os opressores do povo, pela voz dos Profetas e do próprio Jesus de Nazaré, Ele as profere hoje contra vocês.
“Ai daqueles que juntam casa com casa e emendam campo a campo, até que não sobre mais espaço e sejam os únicos a habitarem no meio do país!” (Is 5,8).
“Ai daqueles que fazem decretos iníquos e daqueles que escrevem apressadamente sentenças de opressão, para negar a justiça ao fraco e fraudar o direito dos pobres do meu povo, para fazer das viúvas a sua presa e despojar os órfãos!” (Is 10,1).
“Ai de vocês, os ricos, porque já têm a sua consolação! Ai de vocês, que agora têm fartura, porque vão passar fome! Ai de vocês, que agora riem, porque vão ficar aflitos e irão chorar!” (Lc 6,24-25).
Ao homem rico e ganancioso - cuja terra deu uma grande colheita e dizia para si mesmo: “meu caro, você possui um bom estoque, uma reserva para muitos anos; descanse, coma, beba e alegre-se” - Deus disse-lhe: “louco!  Nesta mesma noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você juntou, para quem vão ficar?” (cf. Lc 12,13-21).
Em especial, Deus profere as maldições contra os senadores - coronéis e latifundiários - Eunício de Oliveira, Ronaldo Caiado e companhia limitada, que estão por trás de um Governo (Estadual e Federal) covarde e submisso aos seus interesses.  Pergunto: por que tanta ganância? Lembrem: os latifúndios, que vocês estão juntando não cabem dentro de seus caixões, mesmo que sejam de luxo!
Deus profere também as maldições contra os juízes injustos, como os desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal da (in)Justiça de Goiás: Ivo Favaro, que no dia 7 deste mês - como relator do processo - indeferiu o habeas corpus, impetrado em favor de Luiz Batista (que está preso em Rio Verde - GO), e José Paganucci Junior, Nicomedes Domingos Borges e Averlirdes A. Pinheiro de Lemos, que acompanharam o voto do relator. O desembargador Sinval Guerra pediu vista do processo.
Os responsáveis por essa iniquidade diabólica legalizada lembrem-se: Deus toma o partido dos pobres e está sempre ao lado dos injustiçados! Às vezes, a justiça de Deus pode até tardar, mas nunca falha! Tomem cuidado! Aguardem!
Povo unido e organizado jamais será vencido! Lutar, construir Reforma Agrária Popular!
(Acompanhem as informações sobre o caso nos sites da CPT e do MST).






Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 08 de junho de 2016

O pacto dos políticos corruptos



“Tem que mudar o governo para estancar a sangria da Operação Lava Jato” (Romero Jucá). É esse o pacto dos políticos corruptos. É essa a verdadeira motivação do processo do impeachment contra a presidenta Dilma. Hoje, no Brasil, a política é um mar de lama.
A decisão de Sérgio Machado - ex-senador e ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras - de gravar conversas com pessoas como Renan, Sarney e Romero Jucá (todos do PMDB), “foi recebida com um misto de raiva, surpresa e indignação. Os diálogos com os três políticos sugerem articulações para deter as investigações da Operação Lava Jato” (Folha de S. Paulo, 29 de maio de 2016, p. A6).
No dia 24 de maio, após reportagem da Folha de S. Paulo revelar o conteúdo das gravações, Romero Jucá - com 11 dias no Ministério do Planejamento - foi demitido do cargo pelo “golpista interino” Michel Temer.
No dia 30 de maio, em apenas 19 dias de governo, o ministro Fabiano Silveira - cujo Ministério, por ironia, chama-se “da Transparência, Fiscalização e Controle” - pediu demissão. Em áudio gravado por Sérgio Machado, Silveira aparece criticando a condução da Operação Lava Jato pela Procuradoria Geral da República (PGR), e orientando o executivo e o presidente do Senado, Renan Calheiros, sobre como agir diante das investigações.
Os políticos, com poucas exceções, acham a corrupção tão natural que até estranham por terem sido descobertos com a boca na botija. Levantam a voz indignados, com o dedo em riste, como se estivessem defendendo um direito. Será que esses políticos descobriram um novo direito: “o direito à corrupção”? Com suas atitudes arrogantes parecem dizer: quem são vocês para manchar a imagem de “pessoas de bem”!
Por que será que as delações premiadas, com suas gravações, causam tanta apreensão no governo e nos políticos ligados ao Palácio do Planalto? Quem não deve, não teme!
Quanta hipocrisia! É realmente uma vergonha para o Brasil! Precisamos dar um basta a tudo isso! Lugar de político corrupto - ladrão de “colarinho branco” - é na cadeia!
            Parabéns aos advogados e juízes da Operação Lava Jato. Está passando da hora de fazer o que vocês estão fazendo, doa a quem doer. Todos e todas, que queremos um Brasil diferente, estamos com vocês. Não se deixem intimidar! E que o jato (da Operação Lava Jato) seja cada vez mais potente, derrubando todo tipo de corrupção!
            Para a nossa reflexão, trago agora um texto do Papa Francisco sobre a corrupção como um pecado elevado a sistema, que nos questiona a todos e a todas. 
A corrupção é o pecado que em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, se ­tornou sistema, torna-se um hábito mental, uma forma de vida. Não sentimos necessidade de perdão e de misericórdia, mas justificamo-nos e aos nossos comportamentos. (…) O pecador arrependido, que depois cai e recai no pecado por motivo da sua fraqueza, encontra novamente perdão quando reconhece que necessita de misericórdia. O corrupto, por sua vez, é aquele que peca e não se arrepende, aquele que peca e finge ser cristão, e com a sua dupla vida provoca escândalo.
(…) Embora muitas vezes se identifique a corrupção com o pecado, na realidade trata-se de duas realidades diferentes, apesar de interligadas. O pecado, sobretudo se reiterado, pode levar à corrupção, mas não quantitativamente - no sentido que um determinado número de pecados não fazem um corrupto -, quando muito qualitativamente: criam-se hábitos que limitam a capacidade de amar e levam à autossuficiência. O corrupto cansa-se de pedir perdão e acaba por acreditar que não deve pedir mais. (…) Uma pessoa pode ser uma grande pecadora e, no entanto, pode não ter caído na corrupção.
Aludindo ao Evangelho, penso no exemplo das figuras de Zaqueu, de São Mateus, da samaritana, de Nicodemos, do bom ladrão: nos seus corações pecadores todos tinham alguma coisa que os salvava da corrupção. Estavam abertos ao perdão, o seu coração pressentia a sua fraqueza, e isto foi a abertura que permitiu entrar a força de Deus. O pecador, ao reconhecer-se como tal, de alguma forma admite que aquilo a que aderiu, ou adere, é falso. Por sua vez, o corrupto esconde aquilo que considera o seu verdadeiro tesouro, aquilo que o torna escravo, e disfarça o seu vício com a boa educação, arranjando sempre uma forma de salvar as aparências” (Francisco. O nome de Deus é misericórdia. Uma conversa com Andrea Tornielli. Planeta, 2015, capítulo VII).
Enfim, diante do cenário de corrupção que existe atualmente no Brasil, faço um apelo urgente à consciência dos 14 senadores que votaram a favor da admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma, mas que ainda não se pronunciaram sobre o mérito das acusações contra ela: sabendo que - embora tenha havido erros - não houve crimes de responsabilidade, revejam o seu voto e, em defesa da nossa frágil democracia, ponham um fim ao golpe político em curso. É o que o povo espera!





Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 01 de junho de 2016
 


A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos