sábado, 26 de novembro de 2016

Um jantar regado a interesses políticos escusos


O traidor, golpista e usurpador Michel Temer representa um Governo marionete, covardemente submisso aos interesses dos detentores do poder econômico e, consequentemente, do sistema capitalista neoliberal no Brasil. Ele é um mero repetidor e executor daquilo que os poderosos mandam dizer e fazer. Não tem personalidade própria e age telecomandado.
Em discurso durante jantar oferecido a congressistas no Palácio da Alvorada na noite do dia 16 último, Michel Temer afirmou: "Vivemos uma recessão extremamente preocupante. O primeiro passo é tirar o país da recessão para depois começar o crescimento e depois o emprego. Não vamos ter ilusão que se combata a recessão com medidas doces. Você precisa, muitas vezes, de medidas amargas, e essas medidas visam ao futuro e não ao presente".
Por que precisa de “medidas amargas” que prejudicam somente os trabalhadores/as, cortando ou limitando seus direitos? Por que as medidas tomadas a favor dos poderosos são sempre “medidas doces”? As “medidas amargas” visam ao futuro de quem? Certamente não é ao futuro dos trabalhadores/as! Quanta hipocrisia! Quanta falsidade!
O referido jantar teve o objetivo de garantir o apoio à PEC 241/55 do Teto dos Gastos no Senado. A primeira votação em plenário está marcada para o dia 29. O segundo turno será no dia 13 de dezembro. O Governo precisa de 49 votos dos 81 senadores para aprovar a medida.
Conforme foi divulgado na mídia, o encontro reuniu 82 convidados, entre senadores, ministros e líderes da Câmara. Em outubro passado, antes da aprovação da PEC na Câmara, Temer promoveu um evento semelhante com deputados federais. São os jantares dos traidores do povo e - o que é pior - pagos com dinheiro do próprio povo.
Michel Temer - “presidente” ilegítimo - voltou a dizer que o seu Governo tem tido um apoio "extraordinário do Congresso Nacional". Não é para menos! Esse Congresso está cheio de políticos picaretas e o golpista é atualmente o chefe deles.
A PEC do Teto - segundo Temer - é a primeira medida para a saída da recessão. "Quando vemos um déficit de R$ 170 bilhões, achamos que é normal, mas não é". "São déficits preocupantes". O golpista sabe muito bem que - para os bancos, as multinacionais e as grandes fortunas - R$ 170 bilhões são uma mixaria. Equivalem ao valor de um “pacote de balinhas”, dadas de presente às crianças.
A solução para a recessão - como todos e todas sabem, inclusive Michel Temer e seus adeptos - é outra e muito simples: taxar os lucros exorbitantes, escandalosos e criminosos dos bancos, das multinacionais e das grandes fortunas, cobrando - com juro e correção monetária - os impostos sonegados.
Se o Governo fizer isso, não faltará dinheiro para os gastos públicos (como educação, saúde e outros) e estará resolvido o problema do ajuste fiscal, sem que seja preciso cortar ou limitar direitos dos trabalhadores/as, conquistados a duras penas e com muita luta.
Temer disse também que - após a aprovação da PEC do Teto - a seguinte medida será a reforma da Previdência. "Vai ser difícil? Vai, mas creio que já há uma consciência nacional, as pesquisas revelam, que ela é indispensável. Não há como fugir dela". É mentira e enganação ao povo! A terceira medida será a reforma trabalhista. Nessa reforma, o acordado prevalecerá sobre o legislado, com as consequências negativas previsíveis na vida dos trabalhadores/as.
Essas medidas não tocam em um centavo sequer dos ricos; só cortam ou limitam - como já disse e repito - direitos dos trabalhadores/as, sobretudo dos mais pobres. São realmente tramas políticas sujas, desonestas, iníquas, obscenas e diabolicamente planejadas, em benefício de uma pequena minoria de adoradores do deus-dinheiro.
Michel Temer afirma ainda que as medidas devem ser consolidadas “para gerar lá na frente o crescimento”. O crescimento de quem? Deve ser o crescimento dos já crescidos, ou seja, dos ricos que se tornam cada vez mais ricos. Certamente não é o crescimento dos trabalhadores/as, que com as medidas são os únicos prejudicados.
Agradecendo a presença no jantar dos senadores e de líderes da Câmara, Temer, pediu: "Estejam muito à vontade. Que façamos um jantar de confraternização, apenas estamos dando um sentido de trabalho a esse jantar para reforçar que o Legislativo trabalha durante o dia e durante a noite, inclusive durante o jantar". Que confraternização é essa! Que descaramento! Que cinismo! Dá nojo!
Diante dessa situação política diabólica, lembro as palavras do Papa Francisco: "Se é assim, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. E tampouco o aguenta a Terra, a Irmã Mãe Terra, como dizia São Francisco" (2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 9 de julho de 2015).
Renovemos a nossa esperança num outro Brasil possível e necessário. Unidos e unidas. continuemos a luta! A vitória é nossa!

Em tempo: manifesto total solidariedade e irrestrito apoio à “Articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais” pela ocupação do Palácio do Planalto, ocorrida no dia 22 do mês corrente, contra a PEC 241-55/16 (a PEC da Morte), a PEC 215/00 (do fim das demarcações de terras indígenas) e ao PL 4059/12 (que libera a venda de terras para estrangeiros). Parabéns, bravos lutadores/as! Estamos com vocês!




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG

Goiânia, 23 de novembro de 2016

sábado, 19 de novembro de 2016

Demônios existem e serão vencidos!


Hoje, no Brasil, o traidor e golpista Michel Temer com seus adeptos (que propôs a PEC 241/55), os Deputados Federais (que a aprovaram) e os Senadores (que em breve a aprovarão), são prova concreta de que demônios existem. Esta PEC (PEC da Maldade, PEC da Morte) é realmente uma proposta iníqua e obscena, defendida com frieza e crueldade pelos demônios da política, que precisamos combater sem trégua e vencer. “Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33).
No dia 9 deste mês, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) do Senado aprovou - depois de sete horas de discussões - a íntegra do relatório da PEC em questão, que congela os gastos públicos por 20 anos. O que mais choca é ver a indiferença, a arrogância e o cinismo com que esses demônios da política votam a favor da PEC. A aprovação pela Comissão permite que a matéria seja encaminhada para votação no plenário da Casa. O que poderá acontecer a qualquer momento.
Em seu parecer, o relator, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) - de infeliz memória e um dos chefes dos demônios da política - rejeitou todas as 59 emendas apresentadas. Diante disso, a oposição protestou e apresentou um texto substitutivo e dois votos em separado; estes últimos, para condicionar a implementação das medidas de ajuste à aprovação da proposta por meio de uma consulta popular. As alternativas foram rejeitadas.
Duas jovens de um pequeno grupo de estudantes gritaram: “Vocês envergonham o país. É muito fácil para vocês falarem na crise econômica e na situação do povo brasileiro aprovando medidas como essa que só vão afetar a vida dos mais pobres”. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), acompanhando a cena, ironizou: “nunca vi uma coisa dessas, de senadores vaiarem o povo na casa que é do povo”. Que descaramento! Que falta de consideração!
Com certeza, nas próximas eleições presidenciais, os trabalhadores e trabalhadoras votarão num candidato ou candidata que publicamente assumir - como primeira medida - o compromisso de lutar, com todos os meios possíveis, para derrubar a PEC 241/55.
As Centrais Sindicais (Central Única dos Trabalhadores - CUT, Central da Classe Trabalhadora - INTERSINDICAL, Central Sindical e Popular - CSP Conlutas, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB, Nova Central - NCST/ES), que decretaram a greve geral do dia 11 último, no Boletim “Acorda!!!”, fazem-nos um alerta: Michel Temer e a maioria dos deputados federais e senadores - os demônios da política - estão tramando a maior retirada de direitos da classe trabalhadora de toda a história.
As medidas de “ajuste fiscal”, anunciadas pelo Governo ilegítimo de Michel Temer, promovem um verdadeiro ROUBO de DIREITOS dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. São medidas para reduzir os gastos com direitos sociais e aumentar os gastos com o mercado financeiro - BANQUEIROS. Esse governo assume descaradamente a defesa dos latifundiários, monopólios industriais e financeiros, que atendem aos interesses estrangeiros, prejudicando a parcela brasileira mais empobrecida.
As Centrais denunciam essa situação política criminosa e reafirmam com veemência e garra: vamos nos organizar e protestar nas ruas para defender nossos Direitos! Somos Seres Humanos! Somos Povo! Não somos mercadoria! Somos Trabalhadores e Trabalhadoras que merecem respeito, dignidade e viver a Vida em sua plenitude e de cabeça erguida!
Enfim, as Centrais Sindicais - respeitando e valorizando as diferenças como uma riqueza - comprometem-se a combater os demônios da política, ou seja, do Projeto Político Neoliberal (que, como diz o Papa Francisco, “exclui, degrada e mata”), assumindo bandeiras de luta, que abrem caminhos novos para a construção de um projeto político alternativo, o Projeto Político Popular.
Eis as bandeiras: em defesa do SUS 100% público; em defesa da Previdência Pública; em defesa da Educação Pública gratuita e de qualidade; em defesa do emprego (do trabalho digno); em defesa dos serviços públicos; em defesa da Reforma Agrária Popular; pela preservação das florestas e terras indígenas; em defesa dos recursos naturais (da Irmã Mãe Terra); pela democratização dos meios de comunicação; contra a criminalização dos Movimentos Populares; pela unidade dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo.
Nem um passo atrás! Nem um direito a menos! Classe trabalhadora unida, jamais será vencida! Parabéns às Centrais Sindicais pela contínua busca da unidade, que fortalece a luta por um outro Brasil possível!
Termino com as palavras do Papa Francisco sobre o “dinheiro divinizado”, que “torna escravos, rouba a liberdade, fere sem misericórdia alguns e ameaça constantemente os outros, para abater todos/as”.
O Papa pergunta e, ao mesmo tempo, responde: “Quem governa então? O dinheiro. Como governa? Com o chicote do medo, da desigualdade, da violência econômica, social, cultural e militar que gera sempre mais violência em uma espiral descendente que parece não acabar nunca. Quanta dor, quanto medo! Há um terrorismo de base que emana do controle global do dinheiro sobre a terra e ameaça toda a humanidade. Deste terrorismo de base se alimentam os terrorismos derivados, como o narcoterrorismo, o terrorismo de Estado e aquele que alguns erroneamente chamam de terrorismo étnico ou religioso”. Francisco conclui afirmando: “Esse sistema é terrorista” e, infelizmente, é hoje o sistema hegemônico no mundo e no Brasil. Seus defensores são demônios da política.
O Papa - referindo-se à situação dos refugiados e a outras situações desumanas - pergunta também: “O que acontece no mundo de hoje que, quando ocorre a bancarrota de um banco, imediatamente aparecem somas escandalosas para salvá-lo, mas quando acontece esta bancarrota da humanidade não há sequer uma milésima parte para salvar a estes irmãos que tanto sofrem?” (Papa Francisco. Discurso no 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Roma, 5 de novembro de 2016).

São palavras duras! Meditemos! 




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG

Goiânia, 16 de novembro de 2016

sábado, 12 de novembro de 2016

Uma criminalização que é crime

O Movimento Primavera Estudantil e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são hoje os dois Movimentos Populares mais perseguidos pelo Governo Federal - golpista, usurpador, ilegítimo e ditatorial - e por Governos Estaduais, capachos desse Governo. É uma iniquidade traiçoeiramente planejada, legalizada e institucionalizada, que clama por justiça diante de Deus!
O Movimento Primavera Estudantil chegou a ter, em seu auge, mais de mil lugares ocupados - e a ocupação é legítima - em todo o país. Segundo a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), foram 995 escolas e institutos federais, 73 campos universitários, três núcleos regionais de Educação, além da Câmara Municipal de Guarulhos. Ao todo, 1.072 locais.
O Movimento luta contra a Proposta de Emenda Constitucional PEC 241 (no Senado: PEC 55), que congela por 20 anos os gastos públicos em diversas áreas sociais como educação, saúde, infraestrutura, segurança e outras. Luta também contra a reforma do ensino médio, proposta pela Medida Provisória MP 746, enviada ao Congresso. Com razão, o Movimento argumenta que a proposta de reforma deve ser debatida amplamente pelos alunos, professores, especialistas em educação e sociedade organizada antes de ser implantada por MP, que começa a vigorar imediatamente.
Parabéns jovens estudantes! Vocês demostram muita maturidade e responsabilidade. Vocês se reconhecem em Ana Julia Ribeiro e são orgulhosos/as do fato de uma de vocês (adolescente de 16 anos e estudante secundarista) conseguir romper o cerco da mídia e - em discursos emocionantes - falar na Assembleia Legislativa do Paraná e na Comissão de Direitos Humanos do Senado (26 e 31 de outubro, respectivamente), com coragem e firmeza, por todos e todas. Foram realmente acontecimentos que - além de nos surpreender e renovar a nossa esperança - revelam um avanço significativo na organização do Movimento.
A luta de vocês - e nossa também - é justa! Não se deixem intimidar pelas ameaças de um Governo ilegítimo e ditatorial! Continuem unidos! Contem com o apoio e a solidariedade que vocês têm nacional e internacionalmente! Sua garra e seu testemunho nos edificam! Ensino público de qualidade para todos e para todas, já!
E o MST? Por causa de sua luta pelo direito à Terra (que - como diz o Papa Francisco - é um direito sagrado) e pela Reforma Agrária Popular, é constantemente perseguido.
Na Nota “Mais Reforma Agrária e fim da criminalização do MST” (Curitiba, 4 de novembro de 2016), o Movimento afirma: “Mais uma vez, o MST é vítima da criminalização por parte do aparato repressor do Estado Paranaense. A ação violenta batizada de ‘Castra’ aconteceu no dia 4 de novembro, no Paraná, em Quedas do Iguaçu; Francisco Beltrão e Laranjeiras do Sul; também em São Paulo e Mato Grosso do Sul. O objetivo da operação é prender e criminalizar as lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra, militantes assentados da região central do Paraná. Até o momento foram presos seis lideranças e estão a caça de outros trabalhadores, sob diversas acusações, inclusive organização criminosa”. Que absurdo!
Diz ainda a Nota: “Desde maio de 2014, aproximadamente 3 mil famílias acampadas, ocupam áreas griladas pela empresa Araupel. Essas áreas foram griladas e, por isso, declaradas pela Justiça Federal terras públicas, pertencentes à União que devem ser destinadas para a Reforma Agrária. A empresa Araupel que se constitui em um poderoso império econômico e político, utilizando da grilagem de terras públicas, do uso constante da violência contra trabalhadores rurais e posseiros, muitas vezes atua em conluio com o aparato policial civil e militar, e tendo inclusive financiado campanhas políticas de autoridades públicas, tal como o chefe da Casa Civil do Governo Beto Richa, Valdir Rossoni”.
Essa empresa, sim, é uma verdadeira organização criminosa, não o MST. E o Poder Público que - com uma operação policial bárbara - apoia e defende essa organização, é também criminoso.
Continua a Nota: “Salientamos que essa ação faz parte da continuidade do processo histórico de perseguição e violência que o MST vem sofrendo em vários Estados e no Paraná. No dia 7 de abril de 2016, nas terras griladas pela Araupel, as famílias organizadas no Acampamento Dom Tomas Balduíno foram vítimas de uma emboscada realizada pela Policia Militar e por seguranças contratados pela Araupel. No ataque, onde foram disparados mais de 120 tiros, ocorreu a execução de Vilmar Bordim e Leomar Orback, e inúmeros feridos a bala. Nesse mesmo latifúndio, em 1997 pistoleiros da Araupel assassinaram em outra embosca dois trabalhadores Sem Terra. Ambos os casos permanecem impunes”.
A Nota conclui: “Denunciamos a escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado à violência do Estado de Exceção (que - acrescento eu - é muito parecido com o Estado Nazista). Lembramos que sempre atuamos de forma organizada e pacifica para que a Reforma Agrária avance. Reivindicamos que a terra cumpra a sua função social e que seja destinada para o assentamento das 10 mil famílias acampadas no Paraná. Seguimos lutando pelos nossos direitos e nos somamos aos que lutam por educação, saúde, moradia, mais direitos e mais democracia. Lutar, construir Reforma Agrária Popular!”. .
A operação de guerra contra o MST, acontecida em São Paulo, contou com 10 viaturas da polícia civil que invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). Nessa ação truculenta, ditatorial e inadmissível, dois militantes foram detidos. De acordo com relatos, os policiais chegaram por volta das 9:25h, pularam o portão da Escola e a janela da recepção e entraram atirando em direção às pessoas que se encontravam na Escola. Os estilhaços de balas recolhidos comprovam que nenhuma delas é de borracha, mas que todas são letais. O objetivo da operação é, mais uma vez, criminalizar o MST. Que barbárie! Que atraso político! Que vergonha para o Brasil!

O MST recebeu do mundo inteiro mensagens de repúdio à ação do Governo e de apoio ao Movimento. Está se formando uma grande rede nacional e internacional de solidariedade ao MST. Unimo-nos a essa rede! A vitória é nossa! Participando da greve geral e mobilização nacional do dia 11 do mês corrente, mostraremos a esse Governo golpista, usurpador, ilegítimo e ditatorial a força dos trabalhadores/as unidos e organizados. Projeto Político Popular, já! Reforma Agrária Popular, já!






Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 09 de novembro de 2016
 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Outra Ecologia é possível


“Deixaremos de destruir a natureza e a nós mesmos
apenas quando adotarmos uma nova visão
que nos faça conscientes da dimensão sagrada da natureza
e de nosso caráter plenamente e orgulhosamente natural” 
(Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo)

 A página de abertura do Livro-Agenda latino-americana mundial -com palavras simples e, ao mesmo tempo, profundas - lembra-nos sempre: é “o livro latino-americano mais difundido, cada ano, dentro e fora do Continente”. Ele é “sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as comunidades que vibram e se comprometem com as Grandes Causas da Pátria Grande, como resposta aos desafios da Pátria Maior”.
      Ele é ainda “um anuário de esperança dos pobres do mundo a partir da perspectiva latino-americana; um manual companheiro para ir criando a ‘outra mundialidade’; uma síntese da memória histórica da militância e do martírio de Nossa América; uma antologia de solidariedade e criatividade; uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social e a pastoral popular”. 
    O Livro-Agenda latino-americana mundial “além de ser para uso pessoal, foi pensado como instrumento pedagógico para comunicadores, educadores populares,  agentes de pastoral, animadores de grupos e militantes” (p. 9).                                                              
  O tema do Livro-Agenda 2017 é “Ecologia Integral: reconverter tudo”. Ele revela “um objetivo ambicioso incomum: incitar nossa conversão ecológica, para, a partir dela, reconverter tudo”. Revela também “um objetivo urgente, pois somente uma sociedade marcada por uma cultura profundamente ecológica, com uma opinião pública em sintonia intelectual e cordial com a Ecologia, poderá evitar a catástrofe climática que nos ameaça”.
    O Livro-Agenda 2017 afirma que “é urgente a conscientização ecológica, por uma Ecologia Integral com a qual poderemos transformar e reconverter tudo: estilos de vida, sistema energético e de produção, pensamento, religiosidade, etc.” (p. 8).                                                             
  A “Laudato Si” diz que “faz falta uma conversão ecológica”. Uma conversão “que chegue a seruma verdadeira ‘revolução cultural’. E propõe, como eixo operativo, um novoconceito que suscitou uma boa acolhida, a Ecologia Integral, que une o social e o político, o cultural e o pessoal, todas as dimensões da realidade, interpenetradas e articuladas” (p. 10-11).
  O Livro-Agenda 2017 “aposta decididamente na  Ecologia  Integral e se engaja vigorosamente na tarefa, pondo-se a serviço dos educadores, dos militantes da Causa da Terra e dos Pobres, para, entre todos e todas, ajudar os leitores, as leitoras e osgrupos e comunidades a assumirem a Nova Visão, o novo software que nos permitirá amar a Natureza como a nós mesmos e mesmas, e sentir sua sacralidade como se fosse nossa”. Enfim, soma-se ao clamor mundial crescente, ao grito da Irmã Mãe Terra e ao grito dos Pobres.
     É “uma tarefa urgente. Uma causa nobre. Um trabalho árduo. Um resgate de emergência”. Após a COP21, é talvez “a última oportunidade para salvar a vida do Planeta tal como a conhecemos hoje. Vale a pena. Mãos à obra” (p. 11).
    Por falarmos do compromisso “com as Grandes Causas da Pátria Grande (América Latina) como resposta aos desafios da Pátria Maior (mundo)”, antes de terminar, parabenizo (embora pretenda voltar sobre o assunto em outro escrito) os jovens estudantes secundaristas do Movimento Primavera Estudantil.
  A luta de vocês, jovens, por um ensino público de qualidade para todos/as é justa e uma das Grandes Causas da Pátria Grande. A garra que vocês, unidos e organizados, demostram - ocupando escolas no Brasil inteiro e se posicionando contra a PEC 241 (no Senado: PEC 55), que congela gastos públicos em diversas áreas de interesse social, como educação, saúde, infraestrutura, segurança e outros por  20 anos - nos edifica a todos/as e fortalece a nossa esperança num outro Brasil possível e necessário. Continuem firmes! Vocês já são vitoriosos! Estamos com vocês!
     Vocês jovens, com a ocupação de escolas no Brasil inteiro, lutam por um ensino público de qualidade para todos/as e se posicionam contra a PEC 241 (no Senado: PEC 55), que congela por 20 anos os gastos públicos em diversas áreas de interesse social, como educação, saúde, infraestrutura, segurança e outros. A luta de vocês é uma das “Grandes Causas da Pátria Grande” e é justa. Com sua garra, união e organização, vocês nos edificam a todos/as e fortalecem a nossa esperança num outro Brasil possível e necessário. Continuem firmes! Estamos com vocês!







Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 02 de novembro de 2016
A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos