sábado, 6 de maio de 2017

Ocupar Brasília


Na noite do dia 19 de abril último, o Governo ilegítimo do golpista Michel Temer - com manobras oportunistas e inescrupulosas da base aliada - aprovou na Câmara Federal, em 2ª votação (na 1ª, do dia anterior, tinha sido rejeitada), a urgência da Reforma Trabalhista, apesar dos cartazes que foram erguidos no plenário com os dizeres “Cunha de novo não” e “Método Cunha não”.
Dizer que a Reforma Trabalhista “moderniza” as relações de trabalho, porque com ela irá prevalecer o “acordado” (no diálogo entre empregados e empregadores) sobre o “legislado” (na CLT e na Constituição, que garantem os direitos dos trabalhadores/as), é uma grande armadilha. Mal comparando, é a mesma coisa que dizer: daqui para frente, o que irá prevalecer no galinheiro, não será mais a segurança de sua estrutura física, mas o “acordado” entre as galinhas e a raposa.
As Reformas (na realidade, Antirreformas) da Previdência e Trabalhista e a Lei da Terceirização - cínica e descaradamente mentirosas - são uma conspiração política diabólica desse Governo ilegítimo e seus aliados contra os direitos dos trabalhadores/as e a favor dos privilégios dos poderosos (os donos do dinheiro).
Nunca esse Governo falou em taxar as grandes fortunas e os lucros exorbitantes dos banqueiros para resolver a chamada crise. Só os trabalhadores devem pagar a conta de uma crise - se é que existe - que não foram eles que criaram. É o deus dinheiro, com seus iníquos adoradores, que governa o Brasil e o mundo. Tudo (sobretudo a vida dos trabalhadores/as e dos pobres em geral) deve ser sacrificado no altar desse deus.
O documento das Centrais Sindicais “A greve de 28 de abril continua”, divulgado no dia 1º de Maio (Dia do Trabalhador/a) - afirma: “O dia 28 de abril de 2017 entrará para a história do povo brasileiro como o dia em que a maioria esmagadora dos trabalhadores disse NÃO à PEC 287, que destrói o direito à aposentadoria, NÃO ao PL 6787, que rasga a CLT e NÃO à Lei 4302, que permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa!”.
Continua o documento: “Sob a palavra de ordem ‘em 28 de abril vamos parar o Brasil’ todas as Centrais Sindicais e suas bases se mobilizaram, de norte a sul do país, impulsionando uma imensa paralisação das atividades e grandes manifestações de protesto. Trabalhadores dos transportes urbanos, das fábricas, comércio, da construção civil, prestadores de serviços, escolas, órgãos públicos, bancos, portos e outros setores da economia cruzaram os braços. E este ato contou com o apoio dos Movimentos Sociais (Populares), como a UNE, de Entidades da sociedade civil como a CNBB, a OAB, o Ministério Público do Trabalho, Associações de magistrados e advogados trabalhistas, com o apoio dos nossos companheiros do Movimento Sindical Internacional, e contou também com uma enorme simpatia popular”.
As Centrais Sindicais declaram: “Com nossa capacidade de organização, demos um recado contundente ao Governo Temer (ilegítimo) e ao Congresso Nacional: exigimos que as propostas nefastas que tramitam em Brasília sejam retiradas. Não aceitamos perder nossos direitos previdenciários e trabalhistas”.
E ainda: “Nos atos de todas as Centrais Sindicais pelo país neste 1º de Maio de 2017, Dia do Trabalhador, reafirmamos nosso compromisso de unidade para derrotar as propostas de Reforma da Previdência, da Reforma Trabalhista e da Lei que permite a terceirização ilimitada”.
Com a força de sua unidade e com a certeza de vitória, as Centrais Sindicais decidem: “O próximo passo é Ocupar Brasília para pressionar o Governo e o Congresso a reverem seus planos de ataques aos sagrados direitos (reparem: sagrados direitos!) da classe trabalhadora”.
Concluem reafirmando: “Sobre essa base, as Centrais Sindicais estão abertas, como sempre estiveram, ao diálogo. Se isso não for suficiente assumimos, neste 1º de Maio, o compromisso de organizar uma reação ainda mais forte”.
Terminam o documento com as palavras de ordem: VIVA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA! VIVA O 1º DE MAIO! ABAIXO AS PROPOSTAS DE REFORMAS TRABALHISTA E DA PREVIDÊNCIA! NENHUM DIREITO A MENOS!”.
Assinam os presidentes das Centrais Sindicais:
Antônio Neto, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)
Adilson Araújo, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
Vagner Freitas, da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Paulo Pereira da Silva, Paulinho, da Força Sindical
José Calixto Ramos, da Nova Central (NCST)
Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores (UGT)
Parabéns às Centrais Sindicais pela unidade na luta! Trabalhador unido, jamais será vencido! Estamos com vocês!
Em tempo: A Comissão que analisa a Reforma da Previdência na Câmara Federal aprovou - nesta quarta-feira, dia 3 de maio - o texto do relator Arthur Maia (PPS-BA). Foram 23 votos a favor e 14 contrários. Para ser aprovado, o texto precisava de 19 votos.
É mais uma safadeza! Realmente, a maioria dos nossos deputados federais é um bando de oportunistas desonestos e totalmente insensível aos apelos dos trabalhadores/as. Não desanimemos! Deus está do nosso lado! A vitória final será nossa!





Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 03 de maio de 2017

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